Brigas entre torcedores de Ceará Sporting Club e Fortaleza Esporte Clube marcaram a véspera do primeiro Clássico-Rei de 2026, pelo Campeonato Cearense, e resultaram em uma ampla operação policial em Fortaleza. No domingo (8), confrontos em diferentes bairros da capital cearense levaram cerca de 350 pessoas — entre adultos e adolescentes — a delegacias, segundo a Polícia Militar.
Os episódios envolveram emboscadas e agressões entre grupos rivais. Imagens que circularam nas redes sociais mostraram cenas de violência, incluindo ataques coletivos e a atuação da polícia com bombas de efeito moral para dispersar os envolvidos. Em áreas como Edson Queiroz e Vila Velha, equipes do CPRaio e do Cotam conduziram dezenas de suspeitos à Delegacia de Combate às Ações Criminosas Organizadas (Draco).
Horas após os confrontos, a facção Comando Vermelho impôs medidas às lideranças das principais torcidas organizadas. Mensagens atribuídas ao grupo passaram a circular exigindo o fim imediato das brigas e a renúncia de dirigentes, incluindo responsáveis pela TUF (Torcida Uniformizada do Fortaleza) e pela Cearamor, principal organizada do Ceará. Os presidentes das torcidas anunciaram a saída em vídeos divulgados na segunda-feira (9).
Segundo apurações, a pressão da facção teria como objetivo coibir novos confrontos no ambiente do futebol local, alcançando inclusive núcleos regionais e de bairros. O Ministério Público do Ceará e a Polícia Civil, com apoio de setores de inteligência da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social, investigam a influência do crime organizado nas torcidas e as circunstâncias das renúncias.
Durante as ações, a polícia apreendeu artefatos explosivos artesanais, socos-ingleses, entorpecentes, ripas de madeira e celulares. As autoridades afirmam que as investigações continuam e que novas medidas podem ser adotadas para evitar a repetição de episódios de violência ligados a jogos do Campeonato Cearense.