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Hugo Motta empurra CPI do Banco Master para o fim da fila e sinaliza resistência à investigação na Câmara

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou que não pretende levar adiante, ao menos neste momento, a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master. Ao afirmar que seguirá rigorosamente a ordem cronológica dos requerimentos protocolados, Motta empurrou o pedido para o fim da fila e, na […]

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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), indicou que não pretende levar adiante, ao menos neste momento, a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master. Ao afirmar que seguirá rigorosamente a ordem cronológica dos requerimentos protocolados, Motta empurrou o pedido para o fim da fila e, na prática, inviabilizou a abertura imediata da comissão.

A posição foi revelada pelo jornal Estado de S. Paulo e reforça a leitura de que o comando da Câmara atua para conter o avanço de uma investigação parlamentar sobre o banco, alvo de apurações da Polícia Federal e de questionamentos no Congresso. A declaração foi feita nesta segunda-feira (9), em meio à pressão de parlamentares que defendem o aprofundamento das investigações no Legislativo.

Pedido de CPI fica travado pelo regimento

A CPI do Banco Master foi protocolada na semana passada pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF). Apesar de reunir as assinaturas necessárias, o requerimento enfrenta um obstáculo decisivo: ele é o único pedido apresentado em 2026 e, por isso, aparece como o último entre 16 requerimentos que aguardam análise pela Presidência da Câmara.

Ao comentar o assunto, Hugo Motta deixou claro que não pretende abrir exceções. “A Câmara tem seu regimento, temos 16 CPIs protocoladas; temos que obedecer a ordem cronológica para poder decidir sobre instalação ou não dessas comissões parlamentares de inquérito”, afirmou o deputado, segundo o relato do Estadão.

Na prática, o posicionamento coloca a CPI do Banco Master em uma fila longa e sem perspectiva concreta de avanço no curto prazo. Parlamentares avaliam que, diante da proximidade do calendário eleitoral e do acúmulo de disputas internas, dificilmente o comando da Casa dará prioridade ao tema.

Precedente de 2025 reforça bloqueio

Além de invocar o critério regimental, Motta citou um precedente recente que reforça sua postura de contenção. Segundo ele, ao longo de 2025, a decisão foi não instalar nenhuma CPI na Câmara. “No ano passado, eu optei por não instalar nenhuma”, disse o presidente da Casa, em referência ao período anterior.

A lembrança do episódio foi interpretada nos bastidores como um recado direto: mesmo diante de pressões políticas ou de casos com forte repercussão pública, a Presidência da Câmara não pretende abrir novas frentes de desgaste institucional por meio de CPIs.

Para líderes partidários, a fala indica que o critério formal da ordem cronológica funciona, na prática, como um instrumento político para postergar investigações sensíveis e manter sob controle a agenda do Legislativo.

Banco Master no centro de investigações

O Banco Master tornou-se um dos principais focos de atenção no Congresso após a revelação de investigações envolvendo supostas fraudes financeiras, crise de liquidez e tentativas frustradas de negociação com instituições públicas. O caso ganhou ainda mais repercussão após a Polícia Federal deflagrar operações que atingiram o controlador do banco, Daniel Vorcaro, e após o Banco Central decretar a liquidação da instituição.

Diante desse contexto, parlamentares da oposição e de partidos do centro passaram a defender a criação de uma CPI específica para apurar responsabilidades políticas, administrativas e financeiras relacionadas ao banco. A avaliação desses grupos é que apenas uma investigação parlamentar ampla permitiria esclarecer possíveis omissões de órgãos reguladores, relações com agentes públicos e impactos ao sistema financeiro.

Pressão existe, mas ambiente é desfavorável

Apesar da pressão, o ambiente político na Câmara não é considerado favorável à instalação de uma CPI neste momento. Deputados ouvidos reservadamente apontam que o comando da Casa busca evitar pautas que possam gerar instabilidade interna, disputas prolongadas ou desgaste institucional em um ano marcado por articulações eleitorais e negociações de alianças.

O próprio Estadão destaca que, embora o regimento estabeleça critérios formais, a decisão de instalar ou não CPIs é, historicamente, política. Em outros momentos, presidentes da Câmara já aceleraram ou retardaram a criação de comissões conforme o clima no Parlamento e os interesses majoritários.

No caso do Banco Master, a avaliação predominante é que o “clima” atual joga contra o avanço da CPI. A declaração pública de Hugo Motta reforça essa leitura ao indicar que não há disposição para reordenar prioridades ou abrir exceções.

Alternativas fora da Câmara

Com a CPI da Câmara praticamente travada, cresce a expectativa de que o caso avance por outras vias. No Senado, parlamentares discutem a incorporação do Banco Master em investigações já em andamento, enquanto uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI), que reúne deputados e senadores, é vista como alternativa com menos entraves regimentais.

Ainda assim, mesmo a CPMI enfrenta resistências políticas e depende de articulação entre as cúpulas das duas Casas. No curto prazo, o cenário mais provável é que o aprofundamento das investigações continue concentrado nos órgãos de controle, como a Polícia Federal, o Ministério Público e o Banco Central.

Sinalização clara do comando da Câmara

Ao empurrar a CPI do Banco Master para o fim da fila e relembrar que não instalou nenhuma comissão do tipo em 2025, Hugo Motta enviou um sinal inequívoco ao Parlamento: a prioridade da Presidência da Câmara não é abrir novas CPIs neste momento.

A fala funciona como um freio preventivo à escalada do tema dentro da Casa, reduzindo as chances de que a investigação parlamentar avance no curto prazo. Para críticos, a postura reforça a percepção de que o comando do Legislativo atua para blindar temas sensíveis. Para aliados, trata-se de uma estratégia para preservar a estabilidade institucional e evitar que a Câmara se transforme em palco permanente de crises políticas.

Independentemente da leitura, o efeito prático é claro: a CPI do Banco Master, ao menos por ora, permanece engavetada.

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