Às vésperas de visita oficial, Brasil e Índia ampliam cooperação no setor de saúde

Imagem: Ricardo Stuckert/PR

Uma nova entidade voltada à articulação de farmacêuticas indianas que operam no Brasil foi lançada nesta terça-feira (10), em Brasília, poucos dias antes da viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia. A iniciativa ocorre em meio ao esforço dos dois países para ampliar relações comerciais e industriais.

Batizada de Abrifi (Associação Brasileira da Indústria Farmacêutica Indiana), a organização foi apresentada na embaixada da Índia na capital federal. O evento contou com a presença do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, que classificou a criação da entidade como um passo para aprofundar os vínculos econômicos entre Brasil e Índia.

Segundo o diretor jurídico e regulatório da Abrifi, Glauco Santos, o setor projeta movimentar cerca de US$ 80 bilhões no Brasil nos próximos anos. A associação pretende atuar na interlocução com o governo brasileiro para tratar de questões burocráticas e regulatórias, com o objetivo de ampliar a produção local.

Santos afirmou que a entidade mantém diálogo com o vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Geraldo Alckmin, e com o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, para viabilizar a expansão das operações. A expectativa, segundo ele, é aumentar a capacidade produtiva das empresas indianas já instaladas no país.

Durante o lançamento, o embaixador da Índia no Brasil, Dinesh Bhatia, destacou que companhias indianas do setor de saúde já possuem presença relevante no mercado brasileiro. Ele afirmou que o país asiático busca ampliar sua participação na balança comercial com o Brasil e apontou a indústria farmacêutica como vetor estratégico para aprofundar as relações bilaterais.

Padilha afirmou que a Índia foi o país que mais ampliou exportações para o setor de saúde brasileiro em 2025, incluindo medicamentos, equipamentos de proteção individual (EPIs) e tecnologias de gestão hospitalar. Segundo o ministro, a visita de Lula a Nova Delhi na próxima semana terá foco na ampliação do comércio bilateral.

Entre os temas da agenda, está a negociação para importar da Índia tecnologias voltadas a hospitais inteligentes, baseados em sistemas de inteligência artificial. De acordo com Padilha, um financiamento de R$ 1,4 bilhão do Novo Banco de Desenvolvimento (Banco dos Brics) deverá viabilizar a construção de um hospital integralmente estruturado com esse modelo tecnológico, além de criar ambiente para investimentos em 15 unidades de terapia intensiva distribuídas pelo país.

O ministro afirmou que o Brasil pretende não apenas importar produtos, mas também estimular parcerias entre empresas indianas, companhias nacionais e instituições públicas brasileiras. Ele ressaltou que o país é atualmente o principal mercado de saúde da Índia na América Latina.

Lucas Allabi: Jornalista formado pela PUC-SP e apaixonado pelo Sul Global. Escreve principalmente sobre política e economia. Instagram: @lu.allab
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