EUA apreendem petroleiro ligado à Venezuela no Oceano Índico e ampliam bloqueio ao petróleo

Imagem: Ricardo Arduengo/Reuters

As Forças Armadas dos Estados Unidos anunciaram a apreensão de um navio petroleiro vinculado à Venezuela no Oceano Índico, em uma operação que, segundo o Pentágono, reforça a disposição de Washington de aplicar o bloqueio às exportações de petróleo do país sul-americano, determinado pelo presidente Donald Trump, mesmo fora da região do Caribe.

De acordo com o Departamento de Defesa, o navio — identificado como Aquila II, de bandeira panamenha — teria desrespeitado a quarentena imposta a embarcações sancionadas. Autoridades americanas afirmaram que a embarcação deixou águas venezuelanas no início de janeiro transportando cerca de 700 mil barris de petróleo bruto, segundo registros da estatal PDVSA citados pela agência Reuters.

O Pentágono informou que o navio foi monitorado desde o Mar do Caribe até o Oceano Índico, onde acabou interceptado. Em comunicado, o órgão declarou que a operação integra a estratégia da Casa Branca para interromper as exportações venezuelanas de petróleo. Imagens divulgadas mostram militares norte-americanos armados abordando a embarcação a partir de um helicóptero.

A apreensão ocorre em meio à ampliação das ações dos Estados Unidos contra o setor energético venezuelano. Desde dezembro, Washington passou a interceptar navios que transportam petróleo do país. No mês passado, o presidente venezuelano Nicolás Maduro foi destituído e levado sob custódia por forças americanas, segundo relatos oficiais.

Sob a ameaça de novos ataques, a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez — que anteriormente ocupou a vice-presidência no governo Maduro — sancionou no mês passado uma lei que permite maior participação de investimentos estrangeiros na indústria petrolífera, historicamente controlada pelo Estado.

Apesar disso, as interceptações de embarcações continuam. Críticos classificam as apreensões como apropriação indevida de recursos e ato de pirataria internacional, enquanto o governo Trump sustenta que as medidas visam reduzir a capacidade financeira do governo venezuelano e pressionar por mudanças políticas.

Em declarações públicas após a remoção de Maduro, Trump afirmou a executivos do setor de energia que a iniciativa também poderá contribuir para a redução dos preços internacionais do petróleo. Desde a mudança de governo, a Venezuela transferiu dezenas de milhões de barris aos Estados Unidos no âmbito de um acordo energético. Rodríguez declarou que o país recebeu US$ 300 milhões pelas vendas, embora autoridades americanas, citadas por veículos de imprensa, tenham mencionado o pagamento integral de US$ 500 milhões.

O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, afirmou em entrevista ao site Politico que pretende visitar a Venezuela em breve para iniciar conversas sobre o futuro da liderança da PDVSA, a estatal petrolífera venezuelana.

Lucas Allabi: Jornalista formado pela PUC-SP e apaixonado pelo Sul Global. Escreve principalmente sobre política e economia. Instagram: @lu.allab
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