A nova pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta-feira reacendeu discussões sobre a viabilidade de uma terceira via na eleição presidencial de 2026. O levantamento indica que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera simulações de segundo turno contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), mas mostra redução na vantagem, movimento interpretado por dirigentes partidários como sinal de espaço para um candidato alternativo fora da polarização política.
Segundo os dados, Lula aparece com 43% das intenções de voto contra 38% de Flávio Bolsonaro em um cenário de segundo turno. A diferença de cinco pontos é inferior à registrada em dezembro, quando o presidente tinha 46% e o senador, 36%, indicando encurtamento do intervalo entre os dois nomes mais competitivos do cenário eleitoral atual.
De acordo com reportagem do jornal O Globo, o presidente do PSD, Gilberto Kassab, avalia que o aspecto mais relevante da pesquisa não é apenas a distância numérica entre os candidatos, mas o nível elevado de rejeição de ambos. O levantamento aponta que 55% dos entrevistados afirmam conhecer Flávio Bolsonaro e não votariam nele, enquanto 54% dizem o mesmo sobre Lula.
Ao comentar os resultados, Kassab declarou: “Na hora que tiver um candidato colocado com clareza, teremos as pesquisas retratando a realidade do momento. Tenho confiança que essa terceira via, que é a melhor via, vai se consolidar, ocupar seu espaço, e que ela pode ganhar as eleições. A rejeição é brutal de ambos porque existe a expectativa que surja algo diferente”.
A avaliação reforça a estratégia do PSD de apostar em governadores como possíveis alternativas eleitorais ao confronto direto entre o atual presidente e o campo bolsonarista. Apesar disso, os números indicam que esses nomes ainda enfrentam dificuldades para ganhar competitividade nas simulações.
Entre os governadores testados, Ratinho Junior (PSD), do Paraná, aparece como o melhor posicionado dentro do partido, mas permanece distante dos líderes. Em eventual disputa de segundo turno contra Lula, ele registra 35%, enquanto o presidente marca 43%. O resultado representa leve oscilação negativa em relação à rodada anterior.
Outros governadores avaliados apresentam desempenho semelhante ao já observado em pesquisas anteriores. Ronaldo Caiado (PSD), de Goiás, e Eduardo Leite (PSD), do Rio Grande do Sul, mantêm patamares baixos de intenção de voto. Romeu Zema (Novo), de Minas Gerais, também segue com índices reduzidos, sem sinal de crescimento relevante.
Nos cenários de primeiro turno, Ratinho Junior aparece com 8% em uma das simulações, enquanto Lula soma 35% e Flávio Bolsonaro 29%, dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Em outro cenário, sem a presença de Zema, Ratinho marca 7%, enquanto Lula e Flávio alcançam 37% e 31%, respectivamente.
O levantamento também aponta fortalecimento de Flávio Bolsonaro no eleitorado de direita entre janeiro e fevereiro. Em um cenário de primeiro turno contra Lula e Ratinho Junior, o senador passou de 82% para 92% das intenções de voto entre eleitores classificados como bolsonaristas.
Entre os eleitores da chamada direita não bolsonarista, o apoio ao senador subiu de 59% para 65%. Também houve avanço entre eleitores considerados independentes. Em um eventual segundo turno contra Lula, 26% desse grupo dizem hoje votar em Flávio, contra 31% que preferem o presidente. Em dezembro, a diferença entre os dois nesse segmento era de 14 pontos; agora caiu para cinco.
Por outro lado, Ratinho Junior perdeu espaço entre eleitores mais alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. No cenário com Lula e Flávio, o governador caiu de 7% para 1% entre bolsonaristas. Em um eventual segundo turno contra Lula, o apoio desse grupo também recuou, passando de 70% para 60%.
Outro dado destacado pela pesquisa é o aumento da aprovação à escolha de Flávio Bolsonaro como possível candidato presidencial dentro do campo da direita. Entre eleitores classificados como direita não bolsonarista, 71% consideram correta a indicação, ante 55% registrados anteriormente. Entre bolsonaristas, a concordância chega a 89%.
Apesar disso, permanece elevado o percentual de entrevistados que afirmam não votar em um candidato apoiado por Jair Bolsonaro, índice que atinge 49%. Além disso, 57% dizem que Lula não merece um novo mandato presidencial, sinalizando resistência relevante também ao atual chefe do Executivo.
Os resultados apontam para um quadro político marcado pela polarização entre dois polos principais, mas com espaço potencial para novas candidaturas caso surjam nomes capazes de reduzir rejeições e atrair eleitores independentes. Nesse contexto, a disputa de 2026 segue aberta e dependente da consolidação de candidaturas competitivas ao longo do ciclo eleitoral.


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