Os Estados Unidos se preparam para ampliar sua presença militar no Oriente Médio com o deslocamento de um segundo grupo de ataque de porta-aviões para a região, em meio às tensões com o Irã e às negociações sobre o programa nuclear iraniano. A sinalização ocorreu após o presidente Donald Trump compartilhar em sua rede Truth Social uma reportagem sobre a mobilização.
Segundo a emissora Al Jazeera, citando informações publicadas inicialmente pelo Wall Street Journal e por outros veículos norte-americanos, o Pentágono determinou que as Forças Armadas organizem um novo grupo naval para se juntar ao porta-aviões USS Abraham Lincoln, que já opera na região há mais de duas semanas acompanhado de destróieres de mísseis guiados.
Fontes ouvidas pelo New York Times e pela agência Associated Press afirmaram, sob condição de anonimato, que o porta-aviões USS Gerald R. Ford recebeu instruções para deixar o Mar do Caribe e seguir rumo ao Oriente Médio. Considerado o maior navio de guerra do mundo, o Ford é o mais moderno da Marinha dos Estados Unidos.
Pressão militar paralela à diplomacia
Caso o deslocamento se confirme, Washington passará a manter dois grupos de ataque de porta-aviões simultaneamente na região, movimento interpretado por analistas como demonstração de força estratégica. A presença ampliada ocorre enquanto o governo norte-americano afirma buscar um acordo diplomático com Teerã para limitar seu programa nuclear.
Horas antes da sinalização militar, Trump recebeu na Casa Branca o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu. Após o encontro, o presidente declarou que ainda não há definição sobre o desfecho das negociações com o Irã, mas defendeu a continuidade das conversas.
Na semana anterior, Estados Unidos e Irã realizaram em Omã a primeira rodada de negociações indiretas desde o ano passado. Ambos os países afirmaram que pretendem manter o diálogo, embora novas reuniões ainda não tenham sido oficialmente confirmadas.
Reação iraniana e impasse estratégico
Autoridades iranianas reagiram com cautela à movimentação militar. Em entrevista à Al Jazeera, o chefe de segurança iraniano, Ali Larijani, declarou que as negociações são conduzidas exclusivamente com os Estados Unidos e acusou Israel de tentar interferir no processo. Já o ministro das Relações Exteriores do país, Abbas Araghchi, afirmou que o programa de mísseis iraniano é considerado um tema de defesa e não está sujeito a negociação.
O governo norte-americano sustenta que busca um acordo que impeça o Irã de desenvolver armas nucleares ou mísseis com capacidade estratégica. Teerã nega ter intenção de produzir armamento nuclear.
A eventual presença simultânea de dois porta-aviões norte-americanos no Oriente Médio representa uma escalada significativa de dissuasão militar e ocorre em um momento de forte sensibilidade geopolítica, combinando negociações diplomáticas com demonstrações de poder naval.


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