O Banco Central decretou nesta quarta-feira (18) a liquidação extrajudicial do Banco Pleno, instituição que anteriormente operava sob o nome Voiter e que já integrou o conglomerado Master, investigado por suspeitas de fraudes financeiras. A decisão representa mais um desdobramento das ações recentes da autoridade monetária contra empresas associadas ao grupo.
Segundo informações divulgadas, o Banco Pleno enfrentava dificuldades de liquidez e buscava um investidor para manter as operações. A instituição também estava impedida pelo regulador de emitir novos Certificados de Depósito Bancário (CDBs), principal instrumento de captação de recursos do banco, o que agravou sua situação financeira.
Dados do Banco Central referentes a junho de 2025 indicavam que o então Voiter possuía patrimônio líquido de R$ 672,6 milhões e lucro líquido de R$ 169,3 milhões. Apesar disso, o passivo somava R$ 6,68 bilhões, sendo R$ 5,4 bilhões concentrados em CDBs, estrutura considerada sensível em cenários de perda de confiança do mercado.
Em nota, o Banco Central afirmou que o conglomerado do Pleno representa apenas 0,04% do ativo total e 0,05% das captações do Sistema Financeiro Nacional, sinalizando impacto sistêmico limitado, embora o caso tenha relevância dentro do contexto das investigações em curso.
Sequência de liquidações no setor
A medida ocorre após outras intervenções recentes do regulador. Em novembro de 2025, foram liquidados o Banco Master, o Master de Investimento, a Master Corretora e o Letsbank. Já em janeiro deste ano, a autoridade também determinou a liquidação da administradora de fundos Reag e do Will Bank.
As dificuldades enfrentadas pelo Banco Pleno não são recentes. Os problemas remontam ao período em que a instituição ainda operava sob o nome Indusval, antes de sucessivas reestruturações societárias. Em 2019, o banco foi rebatizado como Voiter dentro de uma estratégia de transformação digital que não alcançou os resultados esperados.
Em fevereiro de 2024, o conglomerado Master assumiu o controle da instituição. Em julho de 2025, o Banco Central autorizou a transferência para o empresário Augusto Lima, que rebatizou o banco como Pleno. A operação ocorreu paralelamente à análise regulatória da venda do conglomerado Master ao Banco de Brasília (BRB).
Situação do controlador
Augusto Lima, que assumiu o controle após deixar a sociedade com Daniel Vorcaro em julho de 2025, foi preso meses depois no âmbito da Operação Compliance Zero, investigação que apura suspeitas de fraudes envolvendo carteiras de crédito negociadas pelo grupo Master. Ele e Vorcaro foram posteriormente liberados mediante uso de tornozeleira eletrônica.
Relatos reunidos nas apurações descrevem a trajetória de Lima como marcada por expansão acelerada no mercado financeiro, com estrutura societária complexa e operações envolvendo fundos de investimento. O empresário também teria mantido relações com a Reag, instituição liquidada após investigação sobre supostos vínculos com organização criminosa.
Sinais de desconfiança do mercado
Indicadores do mercado secundário já refletiam deterioração da percepção de risco. Papéis do banco chegaram a ser negociados a 165% do CDI no fim de 2025, patamar interpretado como sinal de forte desconfiança dos investidores em relação à capacidade de solvência da instituição.
A proibição de novas emissões de CDBs, somada à dificuldade de atrair capital, restringiu ainda mais a liquidez do banco e contribuiu para o desfecho. A liquidação extrajudicial é um instrumento utilizado pelo Banco Central quando identifica inviabilidade financeira ou risco para credores e investidores.
Impacto e próximos passos
Apesar do peso limitado no sistema financeiro nacional, o caso reforça a atenção das autoridades para operações envolvendo instituições ligadas ao conglomerado Master. A decisão também mantém o foco regulatório sobre estruturas de crédito consideradas complexas e de difícil precificação.
Com a liquidação, o Banco Central passa a conduzir o processo de encerramento das atividades e de pagamento de credores, seguindo as regras aplicáveis a instituições financeiras nessa situação.