O Banco Central (BC) já decretou a liquidação extrajudicial de oito instituições financeiras vinculadas ao conglomerado associado ao Banco Master, em um processo iniciado em novembro de 2025. A medida mais recente foi anunciada nesta quarta-feira (18), quando a autoridade monetária determinou o encerramento de mais duas empresas do grupo, segundo reportagem do jornal O Globo.
Com a decisão, passam a integrar a lista o Banco Pleno e a Pleno DTVM. As duas instituições haviam sido vendidas no segundo semestre do ano passado para Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master desde 2019. Lima deixou a sociedade no ano passado e assumiu o controle do banco Voiter, que integrava o conglomerado, posteriormente rebatizado como Banco Pleno. Ele realizou dois aportes de capital que somaram R$ 160 milhões. Procurada pelo O Globo, a defesa de Augusto Lima informou que não se manifestaria.
O Banco Pleno herdou cerca de R$ 6 bilhões em Certificados de Depósito Bancário (CDBs) originários do Banco Master e buscou estruturar uma carteira de crédito própria. No entanto, a instituição não conseguiu consolidar uma frente consistente de captação de recursos nem vender ativos em volume suficiente para sustentar suas operações. Com isso, passou a enfrentar dificuldades para honrar compromissos financeiros, incluindo o pagamento dos CDBs herdados e de produtos vinculados à nova carteira de crédito.
Oito liquidações desde novembro de 2025
O processo de liquidação conduzido pelo Banco Central teve início em novembro de 2025, quando foram atingidas as principais empresas do conglomerado. Na primeira etapa, o BC decretou a liquidação do Banco Master S/A, do Banco Master de Investimento, do Banco Letsbank — que atualmente opera como BlueBank — e da corretora vinculada ao grupo.
Em janeiro de 2026, a intervenção foi ampliada com a liquidação da CBSF DTVM (antiga Reag Investimentos), apontada como parte de uma estrutura utilizada para ocultar prejuízos dentro do conglomerado. Ainda no mesmo mês, no dia 21, o Banco Central determinou também a liquidação do Will Bank, braço digital do grupo.
No caso do Will Bank, a decisão ocorreu após o fracasso na tentativa de venda da instituição e o bloqueio das operações com cartões da bandeira Mastercard, o que comprometeu o funcionamento do banco digital. Com a inclusão do Banco Pleno e da Pleno DTVM, o total de instituições liquidadas no âmbito do caso chega a oito.
Insolvência e suspeitas de irregularidades contábeis
Desde o início das intervenções, o Banco Central vem apontando insolvência financeira, suspeitas de fraudes contábeis e risco de contágio ao sistema financeiro como fundamentos para as liquidações. Segundo a autoridade monetária, as medidas foram adotadas de forma escalonada para mitigar impactos sistêmicos e preservar a estabilidade do mercado.
A atuação do BC inclui o afastamento de administradores, nomeação de liquidantes e bloqueio de operações, dentro do regime de liquidação extrajudicial previsto na legislação. Nesse modelo, a instituição deixa de operar normalmente e passa a ter seus ativos e passivos apurados para posterior pagamento de credores conforme a ordem legal.
Maior acionamento da história do FGC
O avanço das liquidações levou ao maior acionamento já registrado pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O fundo é responsável por ressarcir investidores em produtos cobertos, como CDBs, LCIs e LCAs, até o limite de R$ 250 mil por CPF e por instituição, respeitando o teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos.
De acordo com dados citados na reportagem, cerca de R$ 41 bilhões foram reservados para pagamentos aos credores das instituições liquidadas. O valor representa o maior desembolso já realizado pelo FGC desde sua criação, ampliando o impacto do caso no sistema financeiro nacional.
Recuperação judicial do Grupo Fictor
O caso também afetou o Grupo Fictor, que havia apresentado proposta para adquirir o Banco Master e aportar R$ 3 bilhões na instituição. Em janeiro, a Justiça reconheceu o pedido de recuperação judicial de duas empresas do grupo, cujas dívidas acumuladas chegam a R$ 4,2 bilhões.
Segundo a empresa, a proposta de compra do Master teria provocado resgates em massa por parte de investidores, gerando crise de liquidez. Ainda em janeiro, a Justiça determinou o bloqueio de R$ 150 milhões em bens da Fictor, relacionados a garantias de contrato envolvendo operações de cartão de crédito. Em fevereiro, outros R$ 500 mil foram bloqueados, ligados a um contrato de investimentos em ativos do agronegócio.
Impacto no sistema financeiro
Com oito instituições já liquidadas, o caso envolvendo o conglomerado ligado ao Banco Master se consolida como uma das maiores intervenções recentes no sistema financeiro brasileiro. O volume de empresas atingidas, o montante acionado pelo FGC e os desdobramentos judiciais associados ampliam a dimensão do episódio.
O Banco Central segue conduzindo procedimentos administrativos e regulatórios para apurar responsabilidades e evitar riscos adicionais ao mercado. As investigações sobre eventuais irregularidades permanecem em andamento, e novos desdobramentos podem ocorrer à medida que avançam as apurações técnicas e judiciais relacionadas ao caso.

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