O primeiro-ministro canadense lidera discussões entre a União Europeia e um importante bloco do Indo-Pacífico, convocando potências médias a unirem forças. A reportagem exclusiva é de Graham Lanktree, Zi-Ann Lum e Jon Stone para o Politico.
Dois dos maiores blocos comerciais do mundo estão avaliando cautelosamente uma aproximação para neutralizar as tarifas impostas por Donald Trump.
A União Europeia e um bloco de doze nações do Indo-Pacífico estão iniciando conversas para explorar propostas que formariam uma das maiores alianças econômicas globais.
O Canadá tomou a frente das discussões. No mês passado, o primeiro-ministro canadense, Mark Carney, convocou o que chamou de potências médias a resistirem à coerção de uma guerra comercial.
O apelo ocorreu poucos dias após Trump ameaçar aumentar as tarifas sobre os aliados europeus da Dinamarca caso o país não cedesse a Groenlândia.
Durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, Carney afirmou que o governo canadense está liderando os esforços para construir uma ponte entre a Parceria Transpacífica e a União Europeia.
A meta dessa aliança é entrelaçar as cadeias de suprimentos de países como Canadá, Singapura, México, Japão, Vietnã, Malásia e Austrália diretamente com o mercado europeu.
O acordo envolveria quase quarenta nações e foca na padronização das chamadas regras de origem, que são os critérios que determinam a nacionalidade econômica de um produto.
Esse sistema de acumulação comercial permitiria que os fabricantes de ambos os blocos comercializassem bens e componentes de forma muito mais fluida e com tarifas reduzidas, tratando as peças de países parceiros como se fossem locais.
As conversas já estão em andamento. No início deste mês, Carney enviou seu representante pessoal para a União Europeia, John Hannaford, a Singapura para sondar a opinião dos líderes regionais.
Um funcionário do governo canadense confirmou que o trabalho está avançando e que tiveram discussões muito proveitosas com outros parceiros ao redor do mundo.
A União Europeia e o bloco do Indo-Pacífico, oficialmente chamado de Acordo Abrangente e Progressivo para a Parceria Transpacífica, decidiram em novembro do ano passado unir forças econômicas.
O objetivo é combater a fragmentação do livre comércio gerada pelas novas tarifas americanas do chamado Dia da Libertação.
Um oficial do comércio japonês destacou o valor de fortalecer as cadeias de suprimentos conjuntas, embora tenha alertado que resultados concretos para as regras de origem podem demorar a sair do papel.
Apesar de alguns oficiais europeus estarem muito entusiasmados, o bloco afirma que o acordo focado nas regras de origem não é a prioridade imediata. O foco atual é em ações mais rápidas para diversificar e aproximar as cadeias logísticas.
Apesar da cautela diplomática, grupos empresariais de toda a Europa estão aumentando a pressão para que Bruxelas e Londres avancem com o pacto.
A Câmara de Comércio e Indústria da Alemanha e as Câmaras de Comércio Britânicas apoiam fortemente a aliança.
Klemens Kober, diretor de política comercial da câmara alemã, explicou que harmonizar essas regras seria extremamente vantajoso para as empresas do país.
Ele lembrou que a União Europeia já possui acordos de livre comércio com a maioria dos membros da Parceria Transpacífica, incluindo Nova Zelândia, Japão, Reino Unido e Canadá.
Kober concluiu dizendo que esperam que o sucesso da iniciativa traga benefícios tangíveis e atraia outros países a participar, ressaltando que, neste caso, quanto mais, melhor.