A Microsoft informou nesta quarta-feira (18) que pretende investir até US$ 50 bilhões em inteligência artificial em países do Sul Global até o fim da década. O anúncio foi feito durante a Cúpula sobre o Impacto da Inteligência Artificial, realizada em Nova Délhi, na Índia, evento que reúne executivos de grandes empresas de tecnologia e líderes políticos de diversos países.
O encontro conta com a participação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chegou ao país asiático no mesmo dia e integra, a partir de quinta-feira (19), debates sobre segurança e governança da inteligência artificial — tema que vem ganhando peso estratégico no cenário econômico e geopolítico internacional. A agenda do chefe de Estado brasileiro inclui ainda compromissos diplomáticos com o governo indiano, entre eles uma visita oficial ao primeiro-ministro Narendra Modi no sábado (21).
Expansão tecnológica em mercados emergentes
Segundo informações divulgadas, o plano da Microsoft busca ampliar infraestrutura e presença tecnológica em mercados emergentes, considerados centrais na corrida global por liderança em inteligência artificial. O objetivo é fortalecer a capacidade de processamento e armazenamento de dados nessas regiões, condição essencial para aplicações avançadas baseadas em IA.
No Brasil, a companhia já mantém novos data centers em operação, ampliando sua estrutura local e acompanhando a estratégia global de expansão da empresa. A movimentação ocorre em um momento de competição intensificada entre grandes corporações do setor, que disputam espaço na construção da base tecnológica necessária para sustentar sistemas de IA cada vez mais complexos.
Corrida bilionária por liderança em IA
O anúncio se insere em um cenário de investimentos massivos na área. Projeções indicam que empresas como Google e Amazon devem aplicar juntas cerca de US$ 650 bilhões em inteligência artificial até 2026, sinalizando a escala da disputa entre gigantes da tecnologia pela liderança do setor.
A Microsoft já havia demonstrado interesse em expandir sua atuação em mercados estratégicos. No ano passado, a companhia anunciou um plano de investimento de US$ 17,5 bilhões na Índia voltado ao desenvolvimento de infraestrutura e serviços de IA, consolidando o país como um dos principais polos de crescimento digital do mundo.
Implicações geopolíticas e econômicas
Especialistas apontam que a expansão de investimentos em inteligência artificial não se limita ao campo tecnológico. A distribuição de infraestrutura e capacidade computacional tende a influenciar cadeias produtivas, inovação científica e competitividade econômica, além de reforçar a posição estratégica de países que recebem esses aportes.
Nesse contexto, iniciativas voltadas ao Sul Global indicam uma tentativa das empresas de tecnologia de diversificar mercados e reduzir dependência de polos tradicionais, ao mesmo tempo em que ampliam a base de usuários e desenvolvedores em regiões com rápido crescimento digital.
O anúncio feito em Nova Délhi reforça que a inteligência artificial se tornou um dos principais eixos de competição global, envolvendo empresas, governos e blocos econômicos em uma disputa de longo prazo por influência tecnológica e capacidade de inovação.