Pastor pragueja contra escola de samba que homenageou Lula

REPRODUÇÃO

O pastor Elias Cardoso, da Assembleia de Deus Ministério de Perus, em São Paulo, criticou publicamente a escola de samba Acadêmicos de Niterói após o desfile que homenageou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na primeira noite do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro. As declarações ocorreram durante um culto religioso e repercutiram nas redes sociais e no meio político.

Segundo registros da celebração, Cardoso afirmou que não responderia às provocações atribuídas à apresentação, mas em seguida declarou que faria orações pedindo punição divina aos envolvidos. “Tripudiaram em cima da nossa fé, não vamos responder. Vamos orar. A hora que esses homens estiverem com câncer na garganta, eles vão lembrar com quem mexeram”, disse o pastor ao se referir a foliões e integrantes da agremiação.

Na mesma fala, ele declarou que a reação não ocorreria por meios judiciais. “A melhor representação não é no Supremo Tribunal Federal (STF), não é na Justiça, não é no Ministério Público, é lá em cima [diz apontando para o céu], direto no trono. Deus vai responder”, afirmou, mencionando também o que chamou de “supremo tribunal celestial”.

As declarações ocorreram após a apresentação da Acadêmicos de Niterói, que levou à avenida um enredo em homenagem ao presidente da República. O desfile incluiu alas temáticas e encenações que abordavam temas políticos e sociais relacionados ao período recente da política brasileira.

Um dos trechos que provocaram reação foi a participação de um grupo coreografado que satirizava setores evangélicos. Segundo a escola, a ala representava segmentos que teriam atuado politicamente contra Lula. O grupo recebeu o nome de “neoconservadores em conserva” e desfilou com fantasias em formato de lata que exibiam o desenho de uma família composta por pai, mãe e duas crianças.

A encenação foi interpretada por parte de líderes religiosos e parlamentares de oposição como uma crítica direta a valores defendidos por segmentos evangélicos. Após a apresentação, políticos utilizaram imagens e montagens inspiradas no figurino da ala para comentar o episódio em redes sociais. Alguns parlamentares posaram para fotos com versões digitais de uma “latinha” produzida com inteligência artificial, em referência à fantasia apresentada no desfile.

A repercussão ampliou o debate sobre liberdade de expressão artística, limites da sátira e relações entre manifestações culturais e crenças religiosas. Integrantes da escola de samba afirmaram que o enredo seguiu a proposta narrativa definida para o desfile e que a apresentação foi planejada dentro das regras estabelecidas para o Carnaval.

Representantes da Acadêmicos de Niterói não anunciaram medidas judiciais nem responderam oficialmente às declarações do pastor até o momento mais recente das manifestações públicas registradas. A direção da escola também não divulgou nota sobre o episódio.

O caso ocorre em um contexto de polarização política e de disputas narrativas em torno de eventos culturais de grande visibilidade. Desfiles de escolas de samba costumam incluir referências a acontecimentos históricos, personagens públicos e debates sociais, o que frequentemente gera reações de diferentes setores da sociedade.

Especialistas em direito e religião ouvidos por veículos de imprensa em episódios semelhantes afirmam que manifestações feitas em cultos religiosos são protegidas pela liberdade de expressão, desde que não configurem incitação à violência ou crime previsto em lei. A avaliação jurídica de declarações depende do conteúdo específico e do contexto em que foram feitas.

Até o momento, não há informação sobre abertura de investigação ou procedimento judicial relacionado às falas do pastor. Também não foram divulgadas manifestações oficiais do Ministério Público ou de autoridades policiais sobre o caso.

O episódio passou a circular amplamente em plataformas digitais após a divulgação de trechos do culto em vídeo. As imagens foram compartilhadas por usuários e páginas que acompanham temas religiosos e políticos, ampliando a visibilidade das declarações e gerando comentários favoráveis e contrários.

O desfile que motivou a controvérsia integrou a programação oficial do Carnaval do Rio de Janeiro e foi transmitido por emissoras de televisão e plataformas digitais. A apresentação ocorreu diante do público presente na avenida e de espectadores que acompanharam a transmissão.

A repercussão evidencia a interação entre manifestações culturais e debates públicos, especialmente quando temas políticos ou religiosos são incorporados a produções artísticas exibidas em eventos de grande alcance. Até o momento, não há registro de desdobramentos institucionais decorrentes do episódio, e a discussão permanece concentrada no campo político, religioso e social.

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