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Brasil e Índia intensificam cooperação estratégica e negociam acordo na área de defesa

O assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Celso Amorim, formalizou convite ao assessor de segurança nacional da Índia, Ajit Doval, para visitar o Brasil “assim que possível”, em movimento que sinaliza avanço nas relações bilaterais entre os dois países. A informação foi publicada pelo jornal O Globo e ocorre em meio à […]

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RICARDO STUCKERT/PR

O assessor especial da Presidência da República para assuntos internacionais, Celso Amorim, formalizou convite ao assessor de segurança nacional da Índia, Ajit Doval, para visitar o Brasil “assim que possível”, em movimento que sinaliza avanço nas relações bilaterais entre os dois países. A informação foi publicada pelo jornal O Globo e ocorre em meio à agenda do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Nova Délhi, onde participa de compromissos multilaterais e encontros diplomáticos.

Na carta enviada ao representante indiano, Amorim expressou expectativa de que Brasil e Índia concluam negociações e assinem um novo memorando de entendimento voltado à cooperação na indústria de defesa. O documento está em discussão durante a atual visita presidencial e integra uma estratégia mais ampla de fortalecimento de parcerias tecnológicas e industriais entre as duas nações.

O assessor classificou como “altamente bem-sucedida” a recente viagem do vice-presidente Geraldo Alckmin à Índia e destacou que houve “progresso significativo” na cooperação em aviação. Na correspondência, ele enfatizou que o contato contínuo em níveis elevados de governo será determinante para o êxito dos projetos conjuntos, sobretudo em setores considerados estratégicos.

Defesa ganha centralidade na relação bilateral

A área de defesa passou a ocupar posição central na agenda diplomática entre Brasília e Nova Délhi. O aumento do diálogo ocorre após uma série de missões oficiais e reuniões técnicas realizadas ao longo dos últimos meses, que envolveram autoridades civis e militares dos dois países.

Em 2025, pouco depois de agendas diplomáticas conduzidas por Amorim, o vice-presidente Alckmin esteve na capital indiana acompanhado de uma delegação de alto nível composta pelo ministro da Defesa, pelo comandante da Aeronáutica, pelo chefe do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas e pelo presidente da Agência Espacial Brasileira. A presença simultânea dessas autoridades foi interpretada como sinal de prioridade dada à cooperação militar, aeroespacial e tecnológica.

Especialistas avaliam que a convergência de interesses nesse campo reflete não apenas objetivos comerciais, mas também a intenção de ampliar autonomia estratégica e fortalecer cadeias industriais nacionais em setores sensíveis, como tecnologia de defesa e sistemas aeronáuticos.

Parcerias empresariais reforçam aproximação

Além da agenda governamental, o setor privado também tem desempenhado papel relevante na aproximação entre Brasil e Índia. Em outubro, a fabricante aeronáutica Embraer inaugurou um escritório em Nova Délhi com participação de autoridades brasileiras, incluindo Alckmin. A iniciativa foi interpretada como passo estratégico para ampliar presença no mercado asiático.

A empresa também firmou acordo de cooperação com o grupo indiano Mahindra e, em janeiro, assinou memorando de entendimento com a Adani Defense & Aerospace para desenvolver um sistema integrado de transporte aéreo regional. Esses movimentos empresariais reforçam a articulação diplomática e indicam interesse mútuo na expansão de projetos conjuntos de tecnologia e inovação.

Analistas apontam que a combinação entre cooperação estatal e iniciativas corporativas tende a consolidar uma parceria de longo prazo, especialmente em áreas que exigem investimento elevado, transferência tecnológica e coordenação institucional.

Agenda presidencial inclui encontros bilaterais

Durante a visita à Índia, Lula participa de eventos multilaterais, incluindo um encontro internacional sobre inteligência artificial, tema considerado estratégico pelo governo brasileiro. Paralelamente, o presidente mantém compromissos voltados ao fortalecimento das relações econômicas e comerciais.

Entre os compromissos oficiais está a abertura do novo escritório da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) em Nova Délhi e a participação no encerramento do fórum empresarial Brasil-Índia. A programação inclui ainda uma visita de Estado e reunião bilateral com o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.

A expectativa do governo brasileiro é que a agenda resulte em avanços concretos em áreas como defesa, tecnologia, comércio e cooperação industrial. Autoridades avaliam que o aprofundamento dessas parcerias pode ampliar oportunidades de investimento, diversificar mercados e fortalecer a presença internacional de ambos os países.

Parceria entre potências emergentes

Brasil e Índia integram fóruns multilaterais relevantes, como o grupo BRICS, e compartilham interesses comuns em temas como desenvolvimento tecnológico, autonomia industrial e reforma de organismos internacionais. Diplomatas consideram que a intensificação do diálogo bilateral pode ampliar a coordenação entre as duas economias emergentes em pautas globais.

A iniciativa de convidar o assessor de segurança nacional indiano ao Brasil é interpretada como gesto diplomático voltado a manter o ritmo das negociações e garantir continuidade institucional aos projetos em discussão. Para analistas, o sucesso dessas tratativas dependerá da consolidação de mecanismos permanentes de cooperação e da capacidade de transformar acordos políticos em resultados práticos.

Com a combinação de agendas governamentais, parcerias empresariais e iniciativas diplomáticas, Brasil e Índia buscam consolidar uma relação estratégica baseada em interesses convergentes e projetos de longo prazo, reforçando o papel de ambos no cenário internacional.

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