A economia brasileira registrou crescimento de 2,5% em 2025, segundo dados do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), indicador considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB). Apesar do resultado positivo, o desempenho representa desaceleração relevante em relação a 2024, quando o índice havia apontado expansão de 3,7%.
O avanço do ano passado foi o mais modesto em cinco anos, desde 2020, período marcado pelos efeitos econômicos mais intensos da pandemia de Covid-19. A leitura reforça a avaliação de analistas e da própria autoridade monetária de que a atividade econômica entrou em trajetória de perda gradual de fôlego após um ciclo de recuperação mais robusto nos anos anteriores.
Agropecuária lidera expansão
Os dados setoriais mostram que o crescimento foi puxado principalmente pela agropecuária, que avançou 13,1% em 2025 e respondeu pela maior contribuição ao resultado agregado. A indústria apresentou expansão mais moderada, de 1,5%, enquanto o setor de serviços — o maior da economia — registrou alta de 2,1%.
A composição indica que a atividade econômica foi sustentada sobretudo pelo desempenho do campo, enquanto os demais segmentos cresceram em ritmo mais lento, refletindo o impacto de juros elevados, custo de crédito mais alto e menor dinamismo na produção e no consumo.
PIB oficial sai em março
Embora seja amplamente utilizado como sinalização antecipada, o IBC-Br não substitui o cálculo oficial do PIB, que é divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado definitivo referente a 2025 está previsto para ser publicado em 3 de março.
Em 2024, de acordo com o IBGE, o PIB brasileiro havia crescido 3,4%, número próximo, mas não idêntico, ao estimado pelo indicador do Banco Central naquele ano. Diferenças entre os dois resultados são comuns porque as metodologias adotadas pelas instituições não são iguais.
Queda em dezembro indica enfraquecimento
A trajetória mensal do índice reforça o cenário de desaceleração no fim do ano. Em dezembro de 2025, o IBC-Br recuou 0,2% na comparação com novembro, já considerando o ajuste sazonal. O resultado sugere perda de impulso da atividade econômica na virada para 2026.
Esse movimento é interpretado por economistas como sinal de que o país iniciou o novo ano com menor ritmo de crescimento, após um período de expansão mais intensa observado anteriormente.
Juros altos explicam desaceleração
A redução do ritmo já era esperada por analistas do mercado financeiro e pelo próprio Banco Central. A política monetária mais restritiva, com juros elevados, tem como objetivo conter a inflação e reduzir pressões de demanda, mesmo que isso implique crescimento mais moderado no curto prazo.
Segundo a autoridade monetária, o arrefecimento da atividade é parte do processo necessário para levar a inflação ao centro da meta contínua de 3%. Em comunicado recente, o Comitê de Política Monetária (Copom) afirmou que o chamado “hiato do produto” ainda permanece positivo — ou seja, a economia segue operando acima do nível considerado potencial, o que pode gerar pressões inflacionárias.
Mercado projeta cortes na Selic
Diante do cenário de desaceleração gradual, o mercado financeiro passou a projetar o início de um ciclo de redução da taxa básica de juros. A expectativa predominante é de que o Banco Central comece a cortar a Selic a partir de março, possivelmente em 0,5 ponto percentual, levando a taxa para 14,5% ao ano.
A perspectiva de afrouxamento monetário depende, porém, da continuidade da queda da inflação e da estabilidade das condições econômicas internas e externas.
Diferença entre IBC-Br e PIB
Criado em 2010, o IBC-Br reúne estimativas de produção nos setores agropecuário, industrial e de serviços, além de impostos, funcionando como instrumento de monitoramento da atividade econômica. Apesar de ser chamado de “prévia do PIB”, o índice não segue exatamente a mesma metodologia utilizada pelo IBGE.
A principal diferença é que o indicador do Banco Central não incorpora o lado da demanda — que inclui consumo das famílias, investimentos e gastos públicos — componente fundamental no cálculo oficial do PIB. Ainda assim, o IBC-Br é amplamente utilizado como referência para análises de curto prazo e para a formulação de política monetária, já que ajuda a medir o nível de aquecimento da economia.
O resultado de 2025, ao indicar crescimento menor do que no ano anterior, reforça a leitura de transição para uma fase de expansão mais moderada, com impacto direto nas expectativas de juros, inflação e investimentos ao longo de 2026.


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