Lula e Macron discutem combate ao crime na fronteira e ampliam cooperação militar durante encontro na Índia

Ricardo Stuckert

Reunião bilateral aborda segurança na Amazônia e garimpo ilegal

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o presidente da França, Emmanuel Macron, reuniram-se nesta quinta-feira (19), em Nova Déli, na Índia, para tratar de ações voltadas ao enfrentamento do narcotráfico e de crimes transnacionais na região de fronteira entre o Amapá e a Guiana Francesa. O avanço do garimpo ilegal na área também esteve entre os temas discutidos.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, o Palácio do Planalto não detalhou os resultados do encontro nem confirmou se houve definição de medidas práticas conjuntas para combater atividades criminosas na região. A reunião ocorreu paralelamente à Cúpula do Impacto da Inteligência Artificial, evento internacional que reúne chefes de Estado, especialistas e executivos do setor tecnológico.

Cooperação militar e industrial entra na pauta

A agenda bilateral incluiu temas estratégicos na área de defesa, discutidos a pedido do governo francês. Os presidentes abordaram projetos como o fortalecimento do programa brasileiro de submarinos e iniciativas industriais em andamento, incluindo a produção de helicópteros no Brasil.

Um dos pontos citados foi o acordo firmado em 2024 para transformar a fábrica da Helibras, em Itajubá (MG), em polo de produção e exportação do helicóptero H145. Também voltou ao centro do diálogo o Programa de Desenvolvimento de Submarinos (Prosub), criado em 2008 e estimado em cerca de R$ 40 bilhões.

Durante visita de Macron ao Brasil em março de 2024, os dois líderes participaram do lançamento ao mar do submarino Tonelero, construído integralmente no país. Na ocasião, defenderam a cooperação militar bilateral como instrumento de preservação da paz e da soberania nacional.

Agenda econômica e empresarial

A Embraer integrou a comitiva brasileira na Índia, com ao menos seis executivos presentes, incluindo o vice-presidente José Serrador Neto e o diretor comercial Raul Villaron. A presença da empresa sinaliza interesse em ampliar parcerias internacionais e oportunidades comerciais no setor aeroespacial.

Além disso, Lula reuniu-se com o CEO do Google, Sundar Pichai, para discutir investimentos da companhia no Brasil e perspectivas de cooperação em inteligência artificial. O presidente brasileiro também manteve encontros com o primeiro-ministro da Croácia, Andrej Plenković, e com o presidente do Sri Lanka, Anura Kumara Dissanayake.

Convite ao G7 e divergências comerciais

Durante a reunião, Macron convidou Lula para participar da próxima cúpula do G7, prevista para junho, na França. O encontro ocorreu poucos dias após a assinatura do acordo comercial entre União Europeia e Mercosul — tema que não entrou na pauta bilateral.

O tratado é visto pelo governo brasileiro como avanço estratégico para a região, enquanto o governo francês manifesta reservas, pressionado por setores agrícolas e industriais contrários à abertura do mercado europeu a produtos sul-americanos.

Contexto diplomático

O encontro em Nova Déli integra uma agenda mais ampla de articulação internacional dos dois países em temas de tecnologia, segurança e comércio. A cooperação franco-brasileira é considerada estratégica em áreas como defesa, meio ambiente e inovação, e a reunião reforça a tentativa de ampliar coordenação bilateral diante de desafios comuns.

A expectativa é que novos desdobramentos sejam anunciados após a conclusão da agenda diplomática na Índia, à medida que governos detalhem eventuais iniciativas conjuntas discutidas durante o encontro.

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