O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (19) que pretende fechar um acordo “significativo” com o Irã e advertiu que haverá consequências severas caso as negociações fracassem. As declarações foram feitas durante a abertura da primeira reunião do Conselho de Paz, em Washington, segundo informou o jornal Valor Econômico.
De acordo com a reportagem, Trump disse que negociações estão em andamento e pressionou Teerã a apoiar os esforços diplomáticos no Oriente Médio. “Boas negociações estão acontecendo. Precisamos chegar a um acordo significativo, caso contrário, coisas ruins acontecerão”, declarou. Ele acrescentou que poderá decidir em até dez dias se autoriza ou não uma ofensiva contra o país. “Talvez nós vamos fazer um acordo [com Teerã]. Vocês vão descobrir ao longo dos próximos dez dias, provavelmente”, afirmou.
Pressão diplomática e ameaça militar
Durante o discurso, Trump também destacou o reforço da presença militar americana no Oriente Médio, classificando a mobilização como a maior desde a invasão do Iraque, em 2003. Segundo ele, o envio de bombardeiros B-2 ao território iraniano em junho do ano passado, durante a guerra de 12 dias iniciada por Israel, teria resultado na neutralização do programa nuclear iraniano. “Dizimou totalmente o potencial nuclear” do país, disse.
O presidente reiterou que o Irã não pode desenvolver armamento nuclear. “Eles não podem ter uma arma nuclear. É muito simples. Eles não podem ter. Você não pode ter paz no Oriente Médio se eles tiverem uma arma nuclear”, declarou. Em outro momento, sinalizou incerteza sobre os próximos passos: “Agora talvez tenhamos que ir um passo além ou talvez não”.
Negociações continuam em Genebra
Apesar do tom de ameaça, o diálogo diplomático segue ativo. Na terça-feira (17), representantes dos dois países se reuniram em Genebra para tentar conter a escalada da crise. Participaram do encontro os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, além do ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araqchi. Segundo relatos, ambos os lados reconheceram avanços limitados nas tratativas.
Washington exige que Teerã interrompa o programa nuclear e limite o desenvolvimento de mísseis balísticos. O governo iraniano sustenta que o enriquecimento de urânio tem finalidade exclusivamente energética e nega qualquer intenção de produzir armas nucleares.
Exercícios militares e tensão regional
Enquanto as negociações avançam lentamente, os Estados Unidos mantêm pressão militar na região. O Irã realizou exercícios conjuntos com Rússia e China e promoveu o fechamento parcial do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa parcela significativa do petróleo transportado mundialmente.
Especialistas em relações internacionais avaliam que o cenário atual combina duas estratégias simultâneas: pressão militar para aumentar o poder de barganha americano e manutenção de canais diplomáticos para evitar confronto direto. O prazo de dez dias mencionado por Trump é visto como um sinal de urgência, mas também como instrumento político para acelerar concessões.
Cenário incerto
O impasse ocorre em um contexto de rivalidade prolongada entre Washington e Teerã, marcada por sanções econômicas, disputas regionais e divergências sobre segurança nuclear. A possibilidade de uma decisão militar rápida eleva a tensão internacional, especialmente entre países aliados e mercados energéticos que dependem da estabilidade no Golfo Pérsico.
Ao final de sua fala, Trump voltou a insistir na necessidade de entendimento. “Agora é a hora de o Irã se juntar a nós em um caminho de paz”, afirmou. Já a bordo do Air Force One, reforçou o alerta de que “coisas realmente ruins” podem acontecer caso não haja acordo, acrescentando que os Estados Unidos alcançarão um entendimento “de uma forma ou de outra”.
Analistas observam que os próximos dias serão decisivos para definir se o conflito seguirá a via diplomática ou se avançará para um novo ciclo de confrontos, com impactos diretos sobre a segurança regional e a economia global.