A taxa média anual de desocupação no Brasil recuou para 5,6% em 2025, segundo a Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), representando queda de 1 ponto percentual em relação a 2024 (6,6%). No quarto trimestre de 2025, o índice caiu para 5,1%, 1,1 ponto abaixo do mesmo período do ano anterior. Os dados fazem parte da PNAD Contínua, principal levantamento nacional sobre mercado de trabalho.
De acordo com o instituto, 20 unidades da federação registraram a menor taxa anual de desocupação desde o início da série histórica, indicando disseminação regional da melhora no emprego.
Estados com maior e menor desemprego
Maiores taxas médias em 2025
- Piauí: 9,3%
- Bahia: 8,7%
- Pernambuco: 8,7%
Menores taxas
- Mato Grosso: 2,2%
- Santa Catarina: 2,3%
- Mato Grosso do Sul: 3,0%
Entre os estados que atingiram mínimas históricas, destacam-se São Paulo (5,0%), Minas Gerais (4,6%), Paraná (3,6%) e Rio Grande do Sul (4,0%), além de vários estados do Norte e Nordeste.
Segundo o analista do IBGE William Kratochwill, o resultado reflete o dinamismo do mercado de trabalho impulsionado pelo aumento do rendimento real, embora ressalte desigualdades estruturais regionais. Ele afirma que Norte e Nordeste ainda apresentam níveis elevados de informalidade e subutilização, associados a ocupações de baixa produtividade.
Subutilização e informalidade permanecem elevadas
Apesar da queda do desemprego, a taxa anual de subutilização da força de trabalho ficou em 14,5% no país. Os maiores índices foram:
- Piauí: 31,0%
- Alagoas: 26,8%
- Bahia: 26,8%
Os menores ocorreram em Santa Catarina (4,6%), Mato Grosso (6,8%) e Espírito Santo (7,4%).
A informalidade média anual foi de 38,1% dos ocupados, com maior incidência em Maranhão (58,7%), Pará (58,5%) e Bahia (52,8%). Os menores percentuais apareceram em Santa Catarina (26,3%), Distrito Federal (27,3%) e São Paulo (29,0%).
No quarto trimestre, 74,4% dos empregados do setor privado tinham carteira assinada. Norte (60,3%) e Nordeste (59,6%) registraram os menores níveis de formalização.
Queda do desemprego regional
Entre o terceiro e o quarto trimestre de 2025, a taxa nacional caiu de 5,6% para 5,1%, com recuo em quatro regiões:
- Nordeste: 7,8% → 7,1%
- Sudeste: 5,3% → 4,8%
- Sul: 3,4% → 3,1%
- Centro-Oeste: 4,4% → 3,9%
A região Norte permaneceu estável. Mesmo com a redução, o Nordeste continuou com o maior índice regional.
Diferenças por gênero, raça e escolaridade
O levantamento mostra desigualdades persistentes:
- Mulheres: 6,2%
- Homens: 4,2%
Por raça:
- Brancos: 4,0%
- Pretos: 6,1%
- Pardos: 5,9%
Por escolaridade:
- Ensino médio incompleto: 8,7%
- Superior incompleto: 5,6%
- Superior completo: 2,7%
Renda média cresce e massa salarial aumenta
O rendimento real médio anual atingiu R$ 3.560 em 2025. Os maiores valores foram registrados no Distrito Federal (R$ 6.320), São Paulo (R$ 4.190) e Rio de Janeiro (R$ 4.177). Os menores ocorreram no Maranhão (R$ 2.228) e na Bahia (R$ 2.284).
No quarto trimestre, a renda média chegou a R$ 3.613, acima do trimestre anterior e do mesmo período de 2024. A massa de rendimentos somou R$ 367,5 bilhões, crescimento tanto trimestral quanto anual.
Tendência geral
Os dados indicam um cenário de mercado de trabalho aquecido, com redução consistente do desemprego e aumento de rendimentos. Ao mesmo tempo, os indicadores revelam desigualdades regionais e estruturais persistentes, especialmente ligadas à informalidade e à qualidade das ocupações.
A próxima divulgação da PNAD Contínua, referente ao trimestre seguinte, está prevista pelo IBGE para 14 de maio.