A empresa indiana Excellence AI anunciou um plano de investimentos para a implantação de data centers soberanos na Bahia, iniciativa que pretende fortalecer a autonomia tecnológica brasileira e transformar o estado em um polo estratégico de infraestrutura digital na América Latina. O anúncio foi feito pelo fundador e CEO da companhia, coronel reformado Pawan Joshu, ao governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, durante o Fórum Empresarial Brasil-Índia realizado em 21 de fevereiro, em Nova Déli.
Segundo a proposta, o projeto prevê a criação de uma infraestrutura nacional de nuvem com padrões elevados de segurança e resiliência, capaz de armazenar dados sensíveis sob jurisdição brasileira. A apresentação detalhada do plano deve ser feita ao presidente da agência Bahia Investe, Paulo Guimarães, no mês de março, quando serão discutidos aspectos técnicos, financeiros e regulatórios.
A iniciativa é fruto de parceria com o BRICS Forum International e tem como um de seus objetivos reduzir a dependência do Brasil de provedores estrangeiros de serviços digitais. De acordo com a empresa, a estrutura projetada deverá ampliar a capacidade de resposta a ameaças cibernéticas e garantir maior controle nacional sobre fluxos de dados estratégicos.
Entre os eixos centrais do projeto está a adequação integral à Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), além da adoção de arquitetura avançada de cibersegurança e da preparação dos centros para aplicações de inteligência artificial. O plano também prevê conformidade com padrões éticos e regulatórios internacionais relacionados ao uso de tecnologias emergentes.
Outro componente destacado é a sustentabilidade energética. A proposta inclui o uso prioritário de fontes renováveis, com aproveitamento do potencial solar e eólico do território baiano. A estratégia busca alinhar a infraestrutura digital a metas ambientais globais, reduzindo a pegada de carbono das operações e reforçando a atratividade do estado para investimentos internacionais.
A Excellence AI afirma que a meta é transformar a Bahia em um hub regional de tecnologia, oferecendo serviços de nuvem, processamento de dados e soluções baseadas em inteligência artificial para empresas e governos da América Latina. A estrutura também poderá fornecer serviços de recuperação de desastres digitais e hospedagem regional de dados, ampliando a capacidade de atendimento a organizações multinacionais.
O projeto inclui a geração de empregos qualificados em áreas como ciência de dados, cibersegurança e desenvolvimento de software. Estão previstas iniciativas de capacitação profissional e formação técnica local, além de programas de incentivo a startups e ao fortalecimento de ecossistemas de inovação no estado. A empresa também sinalizou que pretende apoiar ações voltadas à inclusão digital em regiões remotas, com estímulo ao trabalho remoto e à educação tecnológica.
A proposta está alinhada à “Parceria Digital Brasil-Índia para o Futuro”, lançada oficialmente em 21 de fevereiro de 2026 por meio de declaração conjunta entre os governos dos dois países. O acordo bilateral estabelece cooperação em áreas consideradas estratégicas, como identidade digital, pagamentos eletrônicos, compartilhamento de dados, inteligência artificial e desenvolvimento de infraestruturas públicas digitais.
Entre os objetivos da parceria estão a criação de centros de excelência em tecnologia no Brasil, a implementação de projetos-piloto em setores como educação, clima, agricultura e qualificação profissional, além do desenvolvimento conjunto de soluções tecnológicas avançadas. O documento também prevê diálogo permanente sobre governança digital, proteção de dados, computação de alto desempenho, semicondutores, blockchain e telecomunicações de nova geração.
A coordenação dessas iniciativas ficará sob responsabilidade dos ministérios das Relações Exteriores de Brasil e Índia, com participação de instituições governamentais, empresas privadas, universidades e especialistas técnicos. A cooperação em segurança digital continuará sendo conduzida dentro do Diálogo Bilateral de Cibersegurança já existente entre as duas nações.
Nas próximas semanas, deverão começar consultas técnicas com autoridades estaduais, representantes do setor tecnológico e possíveis parceiros institucionais para definir a modelagem regulatória e o cronograma de implantação dos data centers. A etapa inicial inclui estudos de viabilidade, análise de infraestrutura energética e avaliação de conectividade internacional.
Se concretizado, o investimento poderá representar um dos maiores projetos de infraestrutura digital já planejados para o Nordeste brasileiro. Especialistas avaliam que iniciativas desse tipo têm potencial para impulsionar cadeias produtivas locais, atrair empresas globais de tecnologia e ampliar a competitividade do país em um cenário internacional cada vez mais dependente de processamento de dados e inteligência artificial.
O anúncio ocorre em um momento de intensificação da cooperação Sul-Sul e de crescente disputa geopolítica por autonomia tecnológica. Nesse contexto, projetos de soberania digital têm sido considerados estratégicos por governos e empresas que buscam maior controle sobre suas infraestruturas críticas e seus ativos informacionais.


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