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Lula vai pressionar Trump em conversa para saber o que os EUA planejam para a América Latina

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (22), durante coletiva de imprensa na Índia, que pretende discutir diretamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o papel do país norte-americano no cenário internacional, especialmente na América do Sul. Segundo Lula, é necessário avaliar se a atuação de Washington será baseada […]

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Andrew Harnik/Getty Images

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou neste domingo (22), durante coletiva de imprensa na Índia, que pretende discutir diretamente com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o papel do país norte-americano no cenário internacional, especialmente na América do Sul. Segundo Lula, é necessário avaliar se a atuação de Washington será baseada em cooperação ou em pressão diplomática e militar sobre outras nações.

Na declaração, o presidente brasileiro citou recentes manifestações de Trump sobre o Irã como exemplo de postura que, em sua avaliação, precisa ser revista. “Quero discutir com eles qual é o papel dos Estados Unidos na América do Sul. Qual é o papel deles? É de ajudar ou de ficar ameaçando? Agora está ameaçando o Irã, ou seja, é preciso colocar um paradeiro nisso”, afirmou.

As falas de Lula ocorreram poucos dias após Trump mencionar a possibilidade de adotar novas medidas em relação ao país do Oriente Médio. Na quinta-feira (19), o presidente norte-americano declarou: “Podemos ter de dar um passo adiante, ou talvez não. Talvez vamos fazer um acordo. Vocês vão descobrir nos próximos 10 dias, provavelmente”, durante reunião do Conselho de Paz sobre a Faixa de Gaza.

Segundo Lula, a conversa presencial com Trump deve ocorrer na segunda metade de março, em Washington. O encontro foi acertado após contato telefônico entre os dois líderes, embora a data ainda não tenha sido oficialmente confirmada pelas autoridades dos dois países. O presidente afirmou que pretende utilizar a reunião para reforçar a negociação direta como instrumento central da diplomacia.

“Eu acredito muito em uma coisa chamada negociação. Você sabe que essa história de química entre eu e o Trump, acredito muito que nós, seres humanos, a nossa relação é química mesmo. De você tocar na mão, de você olhar no olho do outro, de você poder conversar diretamente com as pessoas, que você pode resolver qualquer problema. Eu acredito muito nisso. Aliás, eu faço isso a vida inteira. E eu quero continuar fazendo isso e quero fazer essa reunião com o Trump para isso”, declarou.

Lula acrescentou que considera o diálogo pessoal um fator relevante para a construção de acordos internacionais e afirmou que pretende discutir todos os temas considerados estratégicos para a relação bilateral. Entre os assuntos citados estão a cooperação econômica, a agenda climática e o acesso a minerais críticos e terras raras, insumos considerados essenciais para a transição energética e para a indústria tecnológica.

“Nós somos dois homens com 80 anos de idade, portanto, a gente não pode ficar brincando de fazer democracia. A gente tem que tratar com muita seriedade. E eu disse para o telefone ao presidente Trump, é preciso a gente pegar um na mão do outro, olhar um no olho do outro, para a gente ver o que a gente quer entre o Brasil e os Estados Unidos”, afirmou.

O presidente brasileiro ressaltou que não pretende estabelecer restrições temáticas para a conversa. “E não tem veto, não tem nada proibido na mesa de negociação. Vamos colocar todos os temas na mesa de negociação. Se é para combater o clima organizado, nós estamos nessa para combater. Se é para fazer parceria com o Brasil, se é para poder explorar minerais críticos desde que o processo de transformação aconteça no Brasil, vamos conversar”, disse.

A menção aos minerais críticos reflete o interesse crescente de governos e empresas nesse setor, considerado estratégico para cadeias produtivas globais. Esses recursos são utilizados na fabricação de baterias, equipamentos eletrônicos, turbinas eólicas e outras tecnologias associadas à economia de baixo carbono.

A eventual reunião entre Lula e Trump ocorre em um contexto de rearranjo geopolítico e disputas comerciais e tecnológicas entre potências globais. Para o governo brasileiro, o diálogo direto com Washington faz parte da estratégia de manter canais abertos com diferentes polos de poder, ao mesmo tempo em que busca ampliar parcerias comerciais e políticas com países de diversas regiões.

Caso confirmada, a reunião em Washington será o primeiro encontro presencial entre os dois líderes desde o início do atual mandato presidencial brasileiro e poderá definir prioridades da agenda bilateral para os próximos anos, incluindo comércio, cooperação tecnológica e posicionamento diplomático em temas internacionais sensíveis.

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