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Os vampiros querem beber sangue

Os vampiros do imperialismo não estão satisfeitos com todo o sangue que beberam em Gaza. O bloqueio naval dos Estados Unidos a Cuba é um ato de guerra. A Carta das Nações Unidas, assinada pelos próprios Estados Unidos em 26 de junho de 1945, em São Francisco, estabelece que o bloqueio dos portos ou do […]

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Os vampiros do imperialismo não estão satisfeitos com todo o sangue que beberam em Gaza.

O bloqueio naval dos Estados Unidos a Cuba é um ato de guerra.

A Carta das Nações Unidas, assinada pelos próprios Estados Unidos em 26 de junho de 1945, em São Francisco, estabelece que o bloqueio dos portos ou do litoral de um Estado pelas forças armadas de outro Estado é um ato de agressão.

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Na linguagem formal do direito internacional, ato de agressão é exatamente o que chamamos na linguagem jornalística de ato de guerra.

Os Estados Unidos ratificaram essa Carta e são obrigados a cumprir com suas disposições. Trata-se de uma violação flagrante da ordem jurídica global que os americanos ajudaram a construir.

Estamos falando de 11 milhões de cubanos, dentre os quais aproximadamente 1,6 milhão são crianças.

Os vampiros do imperialismo não estão satisfeitos com todo o sangue que beberam em Gaza. Querem um novo estoque de hemoglobina e sofrimento aqui na América Latina.

A recente reportagem do New York Times, assinada por Jack Nicas e Christiaan Triebert, descreve um cenário inequívoco de guerra econômica. Os Estados Unidos estão impondo o primeiro bloqueio efetivo à ilha desde a Crise dos Mísseis de 1962. Petroleiros estão sendo interceptados no Caribe pela Guarda Costeira americana: o navio “Ocean Mariner” foi forçado a dar meia-volta a 65 milhas da ilha, e o “Gas Exelero” teve de retornar vazio de Curaçao.

Especialistas da Universidade do Texas citados pelo jornal afirmam que as reservas de combustível cubanas podem se esgotar em meados de março de 2026. A Casa Branca evita a palavra “bloqueio” e prefere o eufemismo “quarentena” ou fala em “medidas de segurança energética”.

A escolha da linguagem reflete a realidade material da ação. É um ato de guerra.

Segundo a Relatora Especial da ONU, Alena Douhan, os cubanos estão sofrendo com apagões que duram até 18 horas por dia. Em Havana, apenas 44 dos 106 caminhões de coleta de lixo estão operacionais devido à falta de combustível. O lixo acumulado nas ruas por mais de 10 dias tem atraído pragas e gerado o risco de surtos de dengue e leptospirose.

Nas UTIs, os cortes de energia colocam em risco a vida dos pacientes. O armazenamento de vacinas está comprometido e 69% dos medicamentos básicos estão inacessíveis à população, incluindo remédios para câncer e doenças cardíacas. A aquisição de peças de reposição para máquinas hospitalares é bloqueada pela regra americana que proíbe produtos com mais de 10% de componentes dos EUA.

Mais de 80% das bombas de água do país dependem de eletricidade. Com os blecautes, há regiões recebendo água potável apenas uma vez a cada 30 dias. A indústria alimentícia cubana operava com apenas 22% de sua capacidade no final de 2025.

Como o país precisa importar até 80% da sua comida, o bloqueio estrangulou a entrada de leite em pó, farinha e carnes. O sistema de racionamento desabou e as redes de proteção social voltadas a escolas e asilos foram desestruturadas. Cerca de 200 bancos e instituições financeiras estrangeiras cortaram suas relações com Cuba por medo de multas bilionárias.

O fechamento das operações da Western Union na ilha, em fevereiro de 2025, inviabilizou o recebimento de remessas do exterior. As poucas importações permitidas chegam a custar até 300% a mais por causa dos prêmios de risco cobrados pelas rotas longas. O turismo, que representa 10% do PIB, também sofre grandes baques devido aos cancelamentos de voos.

O historiador Nicholas Mulder, em seu livro The Economic Weapon: The Rise of Sanctions as a Tool of Modern War, demonstra que o bloqueio moderno nasceu como uma alternativa ao bombardeio. A ideia era simples: estrangular a economia de um país até forçar sua capitulação.

Mulder analisa como, após a Primeira Guerra Mundial, os Aliados mantiveram o bloqueio naval e econômico contra a Rússia Soviética de Lênin e a Hungria revolucionária. Os Aliados viam a fome e a interrupção do comércio como uma ferramenta de contra-revolução barata e de longa distância. Historiadores como Edmund Morel classificaram esse período como uma “Guerra de Paz”, onde a privação material foi usada no lugar de tropas terrestres.

Oficiais britânicos, como Winston Churchill, admitiram na época que era uma arma repugnante que afetava principalmente mulheres, crianças e os mais pobres. O objetivo claro era usar a fome contra o Bolchevismo.

Durante a Primeira Guerra Mundial, o chamado “bloqueio da fome” causou centenas de milhares de mortes indiretas por desnutrição e doenças. A fome foi tratada como um instrumento estratégico.

Mulder documenta como o capitalismo ocidental tentou sempre usar essa arma covarde do bloqueio contra nações inocentes. Em 1902 e 1903, potências europeias como Grã-Bretanha e Alemanha aplicaram um “bloqueio pacífico” à costa da Venezuela para forçar o pagamento de dívidas e proteger seus interesses capitalistas.

Nos anos 1920, estrategistas britânicos consideraram usar a pressão econômica contra a China. Os britânicos não tiveram qualquer escrúpulo moral em propor o corte de alimentos e combustível da população civil chinesa. A “diplomacia das canhoneiras” também foi aplicada pelas marinhas britânica e francesa contra nações mais fracas, englobando o Sião em 1893 e a ilha de Creta em 1897.

Em 1927, após atritos diplomáticos, Josef Stalin passou a temer que as potências imperialistas estivessem unidas em um “cerco capitalista” voltado para estrangular a URSS através de um “bloqueio financeiro”. O Comitê de Bloqueio britânico de fato chegou a estudar planos severos de pressão econômica contra a URSS.

Na Hungria Comunista de Béla Kun em 1919, a nascente República Soviética Húngara foi submetida a um forte bloqueio pelas potências aliadas vitoriosas. Oficiais que gerenciavam os suprimentos sabiam das consequências desastrosas, mas mantiveram a pressão para não beneficiar o regime comunista.

O cálculo era sempre político: a privação civil como meio de pressão. A sanção ampla substitui a bomba pelo estrangulamento.

O mundo reage com declarações vazias. A Assembleia Geral da ONU aprovou novamente uma resolução pedindo o fim do embargo com 165 votos a favor e apenas 7 contra. O ministro das Relações Exteriores de Cuba chamou o bloqueio de “punição coletiva”.

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, ofereceu mediação mas criticou as ações americanas. Ela declarou: “Você não pode sufocar um povo assim”. O governo de Luiz Inácio Lula da Silva avalia o envio de alimentos e remédios diante do desabastecimento crítico.

Essas resoluções carecem de força executiva. A máquina de guerra americana continua operando.

Retirar combustível de hospitais promove a democracia? Fechar escolas ajuda a libertar um povo?

O debate exige coerência moral mínima. Se o bloqueio de portos por forças armadas é definido como agressão, a linguagem serve para revelar o fato.

Esperamos que o silêncio e a impotência do mundo perante a brutalidade imperial não permitam que Cuba repita o desastre humanitário que presenciamos em Gaza. A bandeira democrática jamais poderia ser usada para justificar o assassinato covarde de países.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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Galinzé

22/02/2026 - 09h21

O regime cubano imundo tem os dias contados…passou da hora de acabar com essa porcaria vergonhosa.

Ja estou ouvindo o choro, o ranger de dentes e a bilis espumando pelos cantos da boca dos doentes mentais de esquerda.


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