O mercado automotivo brasileiro registrou em janeiro um desempenho relevante para os veículos elétricos, com destaque para o BYD Dolphin Mini, que liderou as vendas mensais da categoria e superou modelos populares a combustão. O compacto elétrico alcançou 2.840 unidades emplacadas no período, número superior ao do Renault Kwid, que registrou 2.613 unidades no mesmo mês.
O resultado reforça a tendência de expansão gradual dos carros elétricos no país, segmento que até poucos anos atrás tinha presença limitada nas ruas brasileiras. O avanço ocorre em um cenário de maior oferta de modelos, ampliação da infraestrutura de recarga e estratégias comerciais agressivas das montadoras, especialmente de fabricantes asiáticas.
Ao longo de 2025, o Dolphin Mini acumulou mais de 32 mil unidades vendidas, desempenho que o posicionou à frente de diversos veículos tradicionais do mercado nacional, entre eles Fiat Cronos, Citroën C3 e Renault Kardian. Na média mensal, o modelo registrou pouco mais de 2.700 emplacamentos durante o ano, consolidando presença consistente no ranking geral.
No fechamento anual, o elétrico terminou 2025 como o 25º carro de passeio mais vendido do Brasil, evidenciando crescimento expressivo em comparação ao ano anterior. Em 2024, o mesmo modelo havia encerrado o período na 29ª posição, com cerca de 22 mil unidades comercializadas — aproximadamente 10 mil a menos do que no ano seguinte.
Especialistas do setor avaliam que o avanço reflete mudanças estruturais no mercado, incluindo maior competitividade de preços, incentivos regionais e maior aceitação do consumidor. A estratégia da BYD de posicionar o Dolphin Mini como um elétrico de entrada, com preço relativamente mais acessível dentro da categoria, também é apontada como fator determinante para o desempenho.
Modelo a combustão ainda domina no acumulado anual
Apesar do resultado positivo em janeiro, o Renault Kwid manteve liderança no acumulado de 2025 entre os dois modelos. O veículo da montadora francesa somou quase 60 mil unidades vendidas ao longo dos 12 meses, número significativamente superior ao do concorrente elétrico.
O desempenho anual mostra que, embora os elétricos estejam ganhando espaço, os carros a combustão continuam dominando o mercado brasileiro, especialmente nas faixas de preço mais acessíveis. Analistas destacam que fatores como custo inicial, infraestrutura de recarga e autonomia ainda influenciam a decisão de compra de grande parte dos consumidores.
Ainda assim, o avanço do Dolphin Mini indica mudança gradual no perfil do mercado. O crescimento de mais de 45% nas vendas anuais do modelo entre 2024 e 2025 demonstra aceleração da demanda por veículos eletrificados, tendência observada também em outros países emergentes.
Mercado elétrico cresce, mas transição é gradual
O aumento das vendas de elétricos no Brasil tem ocorrido de forma progressiva, e não abrupta. Dados do setor mostram que a participação desses veículos no total de emplacamentos ainda é minoritária, porém cresce ano a ano. Montadoras têm ampliado portfólio e investido em marketing para estimular a adoção da tecnologia.
Entre os fatores que impulsionam o segmento estão a redução de custos de produção, a entrada de novas marcas estrangeiras e o interesse crescente por soluções de mobilidade menos poluentes. Por outro lado, desafios persistem, como a necessidade de expansão da rede de carregadores e a adaptação da cadeia de manutenção e assistência técnica.
Analistas observam que o desempenho do Dolphin Mini em janeiro serve como indicador simbólico da transformação em curso. A ultrapassagem de um modelo elétrico sobre um carro de entrada tradicional em vendas mensais é vista como sinal de que a eletrificação começa a alcançar segmentos mais populares, e não apenas nichos premium.
A expectativa do setor é que a concorrência aumente nos próximos anos, com novos lançamentos e ajustes de preços. Caso essa tendência se confirme, especialistas projetam que a participação dos elétricos no mercado brasileiro deverá continuar crescendo gradualmente, impulsionada pela combinação de inovação tecnológica, estratégias comerciais e mudanças no comportamento do consumidor.