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Carluxo ataca Valdemar e causa racha de poder no PL

Uma divergência pública entre o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC) e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, evidenciou tensões internas na legenda sobre a definição de candidaturas estaduais e ao Senado para as próximas eleições. O impasse teve início após entrevista do dirigente partidário ao portal Poder360, na qual ele afirmou que a indicação […]

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Uma divergência pública entre o ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-SC) e o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, evidenciou tensões internas na legenda sobre a definição de candidaturas estaduais e ao Senado para as próximas eleições. O impasse teve início após entrevista do dirigente partidário ao portal Poder360, na qual ele afirmou que a indicação de candidatos aos governos estaduais cabe ao partido, enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro teria prerrogativa para apontar nomes ao Senado.

A declaração ocorreu depois de Carlos Bolsonaro informar que seu pai estaria elaborando uma lista de pré-candidatos não apenas ao Senado, mas também a governos estaduais e a outros cargos considerados estratégicos. A fala foi interpretada por Valdemar como uma delimitação de competências internas. Na entrevista, o dirigente afirmou: “Debatemos tudo, mas o Senado é o Bolsonaro que indica. Sempre foi. Nós indicamos os governadores. Todos nós damos palpites em tudo. É normal. Sempre ouvimos nossos parceiros”.

A manifestação gerou reação imediata de Carlos Bolsonaro, que utilizou as redes sociais para contestar a leitura de que haveria restrições à atuação política do ex-presidente dentro do partido. Segundo ele, “ninguém disse” que a família Bolsonaro deixaria de dialogar com outras lideranças ou que não poderia indicar nomes para disputas estaduais. O ex-vereador sustentou ainda que já existiria entendimento prévio de que Jair Bolsonaro prepararia uma relação de candidatos de sua preferência, cabendo ao partido apoiá-lo “em outras situações”.

Em tom crítico, Carlos escreveu: “Me parece que as coisas estão meio desencontradas sem querer querendo! As peças todas parecem se encaixar! Deixar o preso político isolado e fazendo isso que estamos vendo e de forma acentuada está cada dia mais… Estranho”. A publicação foi interpretada por interlocutores políticos como um sinal de insatisfação com a condução interna das articulações eleitorais.

O episódio ocorre em um momento em que o PL busca organizar sua estratégia nacional para as próximas eleições, incluindo a definição de candidaturas majoritárias e a consolidação de alianças regionais. A divisão de atribuições mencionada por Valdemar reflete um modelo tradicional de funcionamento partidário, no qual a direção nacional tem papel central na escolha de candidatos a cargos executivos estaduais, enquanto lideranças de maior projeção influenciam indicações legislativas.

Jair Bolsonaro está detido desde 15 de janeiro no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, após transferência determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. O ex-presidente foi condenado a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado. Mesmo cumprindo pena, ele continua sendo consultado por aliados políticos e parlamentares que visitam o local para discutir cenários eleitorais e decisões estratégicas.

Desde a transferência, o quartel passou a receber visitas frequentes de lideranças políticas ligadas ao bolsonarismo. Segundo relatos de aliados, o espaço tem funcionado como ponto de articulação informal, onde são apresentados diagnósticos estaduais, avaliadas alianças e submetidas propostas ao crivo do ex-presidente. Essa dinâmica tem mantido Bolsonaro como figura de influência na definição de rumos políticos do grupo, apesar da condição de preso.

Nos bastidores, integrantes do partido avaliam que a divergência exposta nas declarações não representa ruptura formal, mas evidencia disputas de espaço e protagonismo dentro da estrutura partidária. Dirigentes afirmam que discussões sobre candidaturas são comuns nesse estágio pré-eleitoral e tendem a se intensificar à medida que se aproximam os prazos legais para definições.

A controvérsia também revela diferentes interpretações sobre o alcance da liderança de Bolsonaro dentro do PL após sua condenação. Enquanto aliados defendem que ele deve manter papel decisório central, setores do partido defendem maior autonomia das instâncias formais da legenda para conduzir negociações regionais e alianças.

Até o momento, nem Valdemar Costa Neto nem Jair Bolsonaro se pronunciaram novamente sobre o episódio após a reação de Carlos Bolsonaro. Integrantes do PL afirmam que a tendência é de acomodação interna e que as definições finais dependerão de negociações entre a direção partidária, lideranças regionais e o próprio ex-presidente.

A divergência ocorre em um contexto de reorganização das forças políticas nacionais e de preparação antecipada para o próximo ciclo eleitoral, no qual partidos buscam consolidar bases estaduais e ampliar bancadas no Congresso. Nesse cenário, a disputa por influência sobre indicações e estratégias tende a se tornar um dos principais pontos de tensão dentro das legendas.

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