China testa canhão naval gigante e turbina capacidade de ataque marítimo

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Pequim pode estar avançando no desenvolvimento de um novo canhão naval de 155 milímetros destinado a ampliar o poder de fogo de ataque terrestre da Marinha do Exército de Libertação Popular (PLAN). Imagens divulgadas recentemente em redes sociais chinesas mostram a arma instalada na proa de um navio de testes no estaleiro Liaonan, em Dalian, na província de Liaoning, no nordeste da China.

As fotografias, cuja autenticidade não foi oficialmente confirmada pelo governo chinês, indicam que o projeto entrou em uma nova fase de avaliação operacional em alto-mar. Analistas militares observam que o comprimento estimado do cano e o formato da torre coincidem com registros anteriores de um protótipo de artilharia naval de 155 mm desenvolvido pela estatal China North Industries Group Corporation (Norinco), visto anteriormente sendo transportado por via terrestre.

Possível maior calibre naval em operação

Relatos técnicos atribuem ao sistema cerca de 21,8 toneladas e capacidade para disparar munições guiadas de precisão. Caso seja incorporado à frota, o armamento poderá se tornar o canhão principal de maior calibre atualmente empregado em navios de guerra modernos.

Hoje, os principais canhões navais chineses incluem modelos de 130 mm instalados nos contratorpedeiros mais recentes, como os das classes Tipo 055 e Tipo 052D, além de sistemas de 100 mm em navios mais antigos e peças de 76 mm usadas em fragatas e embarcações anfíbias. O salto para 155 mm representaria aumento significativo de alcance, poder destrutivo e capacidade de apoio de fogo.

Especialistas apontam que o interesse em calibres maiores reflete uma tendência de diversificação do armamento naval, combinando mísseis de longo alcance com artilharia pesada capaz de executar bombardeios contínuos a custo inferior.

Possível uso em operações anfíbias

Não há confirmação oficial sobre qual classe de navio deverá receber o novo canhão. No entanto, especulações apontam para plataformas anfíbias, consideradas essenciais em cenários de projeção de força marítima.

Navios de transporte anfíbio chineses atualmente utilizam armamento de menor calibre, voltado principalmente para defesa aérea ou proteção aproximada. Embarcações maiores, projetadas para transportar helicópteros e drones, operam sobretudo com sistemas defensivos, sem artilharia pesada dedicada a bombardeio costeiro.

Analistas militares avaliam que um canhão de 155 mm poderia suprir essa lacuna, fornecendo apoio de fogo direto durante operações de desembarque. Em cenários hipotéticos de conflito no Estreito de Taiwan, por exemplo, artilharia naval pesada permitiria ataques terrestres sustentados com custo inferior ao emprego de mísseis guiados.

Comparação com programas estrangeiros

O desenvolvimento chinês ocorre em um contexto de mudanças tecnológicas globais. A Marinha dos Estados Unidos, por exemplo, equipou originalmente seus destróieres da classe Zumwalt com dois canhões de 155 mm destinados a ataques de longo alcance. Posteriormente, o sistema foi substituído por lançadores verticais de mísseis devido ao alto custo da munição especializada, que chegou a cerca de US$ 800 mil por projétil.

Projetos navais norte-americanos mais recentes têm priorizado armamentos de 127 mm combinados com tecnologias emergentes, como armas a laser e canhões eletromagnéticos. A China também investe nesses sistemas. Um protótipo de railgun naval foi observado em testes ainda em 2018, e armas a laser de alta potência começaram a ser instaladas em alguns navios.

Estratégia tecnológica e modernização militar

O possível novo canhão integra um esforço mais amplo de modernização das forças armadas chinesas, que inclui avanços em inteligência artificial, sensores, mísseis hipersônicos e sistemas autônomos. O objetivo é ampliar a capacidade de projeção de poder e reduzir a dependência de tecnologias estrangeiras.

Especialistas em defesa observam que a aposta em artilharia pesada naval sugere uma estratégia de equilíbrio entre sistemas sofisticados e soluções convencionais de alto impacto. Embora mísseis ofereçam alcance superior, canhões de grande calibre permanecem úteis para operações contínuas, especialmente em cenários costeiros.

Contexto geopolítico

O desenvolvimento ocorre em meio a tensões regionais envolvendo Taiwan. Pequim considera a ilha parte de seu território e afirma que poderá usar força para promover a reunificação, se julgar necessário. Diversos países, incluindo os Estados Unidos, não reconhecem formalmente Taiwan como Estado independente, mas se opõem a qualquer tentativa de tomada militar e mantêm cooperação defensiva com o governo local.

Nesse cenário, a ampliação da capacidade naval chinesa é acompanhada de perto por analistas internacionais, que avaliam possíveis impactos no equilíbrio estratégico da Ásia-Pacífico.

Próximos passos

Sem confirmação oficial, ainda não há cronograma conhecido para testes marítimos completos ou eventual integração do canhão à frota ativa. Observadores afirmam que a presença do protótipo em um navio experimental sugere que a fase de avaliação operacional está em andamento, etapa normalmente anterior à produção em série.

Se confirmado e incorporado, o sistema poderá representar uma mudança relevante na doutrina naval chinesa, ampliando as opções de apoio de fogo e reforçando a capacidade de atuação em cenários litorâneos e anfíbios.

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