Em Seul, Lula anuncia acordos comerciais com a Coreia do Sul

Ricardo Stuckert/PR

Governo do Brasil apresentou, durante encontro entre empresários brasileiros e sul-coreanos, possibilidades de investimentos asiáticos no Brasil em áreas como exportação de carne, indústria de cosméticos e fármacos, setor aeroespacial, entre outros

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta segunda-feira, 23 de fevereiro, da cerimônia de encerramento do Fórum Empresarial Brasil-Coreia do Sul, em Seul, e sinalizou a intenção de diversas parcerias comerciais com o país sul-coreano. O encontro reuniu autoridades das duas nações, lideranças empresariais de 230 corporações e representantes de setores estratégicos — como economia criativa, tecnologia, alimentos, açúcar, álcool, indústria farmacêutica e, especialmente, agricultura e pecuária — para debater desafios e oportunidades nos segmentos.

“Minha viagem a Seul não estaria completa sem participar deste fórum empresarial. É simbólico que nossos países sejam hoje liderados por dois presidentes oriundos da classe operária. O diálogo permanente entre governantes, trabalhadores e empregadores é o principal pilar de uma economia forte e inclusiva”, destacou o líder brasileiro, que completou apontando que descanso e produtividade podem coexistir na atividade econômica.

“Estamos discutindo, no Brasil, o fim da chamada jornada seis por um, para assegurar que o trabalhador tenha dois dias de descanso semanal. A tecnologia nos permitiu atingir níveis inimagináveis de produtividade. É hora de pensar no bem-estar das pessoas”, acrescentou Lula.

Para o presidente, a melhor resposta à tentativa de utilização do comércio como arma é mostrar que é possível alcançar entendimentos por meio do diálogo e da negociação. “A relação entre o Brasil e a República da Coreia, dois países ligados por fortes laços humanos e vínculos empresariais, é a prova de que a confiança e a cooperação valem a pena. Tenho certeza de que este fórum gerou muitas oportunidades de negócios que contribuirão para construir um futuro de prosperidade para brasileiros e coreanos”, afirmou o presidente.

Carne Bovina

A competitividade do agronegócio brasileiro na produção de carnes e proteínas foi um dos atrativos nacionais enaltecidos pelo presidente Lula. “Nos últimos anos, o Brasil se consolidou como o celeiro do mundo. Em 2025, tivemos a maior safra da história, com 350 milhões de toneladas de grãos. Somos uma potência agrícola e temos orgulho de contribuir para a segurança alimentar do planeta.”

Lula explicitou a intenção brasileira de adentrar o mercado de carne bovina coreano. “O bulgogi tradicional churrasco coreano, combina com uma carne de qualidade como a brasileira. Estamos prontos para avançar nos procedimentos sanitários necessários para que o Brasil esteja no prato do cidadão coreano”, assegurou. “Isso também permitirá que os maiores frigoríficos do mundo, que são brasileiros, se instalem e invistam aqui na Coreia”, emendou.

Diversificação

Ao mesmo tempo, o presidente ponderou também sobre a necessidade de maior diversificação econômica no Brasil. “Mas a resiliência de um país, especialmente em tempos de turbulência global e de retorno do protecionismo, depende da diversificação da sua base econômica e das suas relações comerciais. Vemos na República da Coreia um parceiro estratégico para atingir esses dois objetivos”, explicitou.

Em discurso, o líder brasileiro observou que a presença consolidada de empresas sul-coreanas no país evidenciam a condição fertil do território brasileiro para outros segmentos. “O Brasil é o maior destino de investimentos coreanos na América Latina há anos. Empresas como Samsung, Hyundai e LG estão presentes em lares brasileiros. A Coreia já é o quarto maior investidor asiático no país, com estoque de investimentos de nove bilhões de dólares. Esse volume tem potencial para crescer”, frisou.

Políticas e Programas

O presidente citou ainda políticas públicas implementadas em sua gestão que incentivam a vinda de empresas estrangeiras e apresentam cenário favorável para investimentos. “Nos últimos três anos, o Brasil lançou iniciativas importantes, como o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), o Programa Nova Indústria Brasil (NIB), o Programa Mobilidade Verde e Inovação (MOVER) e o Plano de Transformação Ecológica. Todas elas oferecem condições vantajosas para investidores estrangeiros interessados em trazer inovações tecnológicas e soluções sustentáveis. Dispomos de segurança jurídica e estabilidade econômica, política e social”, disse.

Mineração

Lula mencionou ainda a oportunidade de cooperação mutuamente vantajosa na exploração de minerais críticos. “A Coreia é o segundo maior produtor mundial de semicondutores e detém parcela significativa do mercado de baterias. O Brasil possui minerais críticos que são insumos essenciais para as cadeias de produção de eletrônicos e veículos elétricos. É um parceiro confiável em um cenário em que a arbitrariedade está se tornando a regra. O papel de meros exportadores de matérias-primas não condiz com nosso potencial. Buscamos parcerias que nos permitam agregar valor e produzir tecnologia de ponta em solo brasileiro”, afirmou.

Aprendizado

O presidente Lula apontou ainda as semelhanças e os contrastes entre como os dois países desenvolveram o comércio e como o Brasil pode aprender com a experiência sul-coreana. “O Brasil tem muito a aprender com a República da Coreia. Nos anos sessenta, o PIB per capita coreano equivalia a menos da metade do brasileiro. Hoje, é três vezes maior. Até a década de oitenta, a produção industrial do Brasil era maior do que a da Coreia. Hoje, este país é um dos principais polos tecnológicos do mundo. Nos anos noventa, enquanto o Brasil se rendeu ao receituário neoliberal, a Coreia continuou apostando no papel indutor do Estado em setores estratégicos”, observou Lula.

“Nenhum país que chegou atrasado à corrida industrial conseguiu subir a escada do desenvolvimento sem políticas públicas robustas. A experiência coreana prova que elevar a escolaridade da população é um investimento valioso. Demonstra, além disso, que um crescimento sustentado depende de uma economia variada e sofisticada, capaz de absorver mão-de-obra qualificada”, assinalou.

Fármacos

Acerca da indústria farmacêutica, Lula apontou a sinergia no setor e os resultados garantidos com os investimentos. “A República da Coreia tem ampliado sua pesquisa e desenvolvimento na área de saúde. O Brasil está avançando na construção de seu laboratório de biossegurança Órion, o único do mundo conectado a um acelerador de partículas. Isso nos permitirá buscar soluções para doenças, desenvolver métodos de diagnóstico e prevenir epidemias. Instituições públicas de saúde, como a Fiocruz e outras fundações estaduais brasileiras, estão fortalecendo sua cooperação com a Coreia.

Esperamos que, em breve, possamos fabricar conjuntamente novas vacinas, fármacos e insumos médicos”, projetou.

Setor Aeroespacial

O crescente aprimoramento e desenvolvimento do setor aeroespacial da Coreia do Sul foi utilizado pelo presidente Lula como exemplo para ilustrar a potencial cooperação. “Juntos, também podemos dar importantes saltos científicos. A start-up coreana Innospace está ajudando a fazer do Centro de Lançamento de Alcântara um novo polo aeroespacial. Tenho certeza de que o Brasil logo terá o privilégio de ver um foguete sul-coreano em plena operação. O diálogo entre nossas agências espaciais é crucial para aprofundar essa colaboração, inclusive no compartilhamento de dados de satélites e em projetos de exploração lunar.”

Apex Brasil

Lula reforçou ainda que a expansão da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), que inaugurou escritório durante a missão presidencial em Nova Délhi, na Índia, identifica oportunidades para produtos brasileiros na Coreia, e alimentos e bebidas a produtos químicos.

“A corrente de comércio entre o Brasil e a Coreia é de cerca de onze bilhões de dólares. Estamos aquém do recorde de quase 15 bilhões registrado em 2011. O intercâmbio atual não está à altura de duas economias do tamanho do Brasil e da Coreia. Por isso, celebramos um acordo de cooperação comercial e integração produtiva, com foco no fortalecimento da cooperação industrial, tecnológica e agrícola. O Acordo também fortalecerá cadeias de suprimentos resilientes e seguras e inova em minerais estratégicos, indústrias sustentáveis, e audiovisual. Nossos ministérios passarão a se reunir regularmente para discutir como fortalecer relações econômicas”.

Atualmente, a ApexBrasil possui escritórios em Bogotá (Colômbia), Miami (EUA), São Francisco (EUA), Nova York (EUA), Bruxelas (Bélgica), Lisboa (Portugal), Moscou (Rússia), Dubai (Emirados Árabes Unidos), Pequim (China) e Xangai (China). O espaço em Nova Délhi será o 11º escritório internacional da Agência, além das representações que possui na África do Sul, Nigéria, Singapura (Singapura), Shenzen (China) e Washington-DC (EUA).

Publicado originalmente pela Agência Gov em 23/02/2026

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.