O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, iniciou movimentos de aproximação com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e passou a defender a ampliação do debate sobre a implementação da tarifa zero no transporte público urbano. A estratégia ocorre em meio ao calendário eleitoral e é interpretada por analistas políticos como tentativa de ampliar capital político e dialogar com pautas de forte apelo social.
A proposta de gratuidade no transporte coletivo ganhou espaço na agenda legislativa nas últimas semanas, impulsionada por discussões sobre mobilidade urbana, custo de vida e acesso ao trabalho. Interlocutores do Congresso afirmam que Motta pretende estimular audiências públicas e articular projetos que permitam a expansão de experiências municipais já existentes para modelos financiados por fundos federais ou consórcios regionais.
Segundo especialistas em mobilidade, o tema voltou ao centro do debate após o aumento das tarifas em grandes centros urbanos e a pressão de movimentos sociais que defendem transporte como direito social. Estudos do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e de organizações da sociedade civil indicam que a tarifa zero pode reduzir desigualdades de acesso e estimular o uso do transporte coletivo, mas exige fontes estáveis de financiamento para evitar impactos fiscais nos municípios.
Nos bastidores, a aproximação com o Palácio do Planalto é vista como pragmática. O governo federal tem interesse em pautas de impacto social e na melhoria da mobilidade urbana, especialmente em cidades de grande porte, enquanto a presidência da Câmara busca protagonismo em temas que dialoguem com o eleitorado urbano e com prefeitos em ano de disputa municipal.
Experiências de tarifa zero já foram implementadas em cidades brasileiras como Maricá (RJ), Caucaia (CE) e Vargem Grande Paulista (SP), com modelos baseados em receitas de royalties, fundos municipais e subsídios orçamentários. Pesquisadores apontam que os resultados incluem aumento de demanda, dinamização econômica local e redução do transporte informal, embora também haja desafios relacionados à sustentabilidade financeira e à qualidade do serviço.
Parlamentares da oposição e do centro demonstram cautela quanto à proposta em escala nacional. O principal ponto de divergência envolve a origem dos recursos e a possibilidade de criação de novos fundos ou tributos para subsidiar a política. Setores liberais defendem alternativas como subsídios focalizados ou integração tarifária ampliada, em vez da gratuidade universal.
A movimentação ocorre enquanto o Congresso discute reformas fiscais e mecanismos de financiamento para políticas urbanas. Integrantes do governo avaliam que qualquer avanço dependerá de pactuação federativa, com participação de estados e municípios, além da definição de critérios para repasses e metas de qualidade do transporte.


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