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Zema já confessa que pode perder se lançar candidatura ao Planalto

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, afirmou que manterá sua pré-candidatura à Presidência da República até o fim e descartou a possibilidade de disputar como vice em uma chapa liderada pelo senador Flávio Bolsonaro. Em entrevista ao Valor Econômico, Zema disse que sua candidatura tem como objetivo principal “contribuir com o debate” e “provocar […]

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O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, afirmou que manterá sua pré-candidatura à Presidência da República até o fim e descartou a possibilidade de disputar como vice em uma chapa liderada pelo senador Flávio Bolsonaro. Em entrevista ao Valor Econômico, Zema disse que sua candidatura tem como objetivo principal “contribuir com o debate” e “provocar mudanças”, sustentando que eventual vitória eleitoral seria consequência de um trabalho consistente e não a meta central da campanha.

O governador foi o primeiro nome a anunciar intenção de concorrer ao Planalto, em agosto de 2025, e reiterou que pretende seguir com projeto próprio mesmo diante de articulações políticas que cogitam alianças com outros pré-candidatos.

“Eu gosto do Flávio, é um bom pré-candidato. Mas eu vou levar a minha pré-campanha e campanha até o fim”, declarou. Ele acrescentou que pretende apresentar propostas “diferentes” e afirmou acreditar que o debate público pode ser influenciado independentemente do resultado eleitoral.

Estratégia para ampliar visibilidade nacional

Zema reconheceu que ainda enfrenta baixo nível de conhecimento nacional, mas afirmou que vê a situação como etapa natural de sua trajetória política. “Há oito anos, quando eu comecei a minha pré-campanha ao governo de Minas, eu era desconhecido por 90%. Então eu já estou numa situação muito melhor hoje”, disse. Segundo ele, após deixar o cargo no estado, terá mais tempo para divulgar resultados de sua gestão e ampliar a projeção nacional.

Na entrevista, o governador citou dados sobre Minas Gerais e fez críticas ao Partido dos Trabalhadores. “O Estado ganhou participação na economia brasileira, criamos mais de um milhão de empregos formais, trouxemos mais de R$ 530 bilhões de investimentos privados”, afirmou. Em seguida, declarou: “Nós mostramos aqui em Minas que aquilo que o PT estragou, destruiu, nós reconstruímos.”

Campanha com foco em propostas e discurso crítico à política tradicional

O governador defendeu que alianças partidárias e estruturas regionais não são determinantes para uma vitória eleitoral. Ele citou a própria campanha de 2018 como exemplo. “Em 2018 eu não tinha um prefeito me apoiando e ganhei no primeiro e no segundo turno.” Segundo Zema, o eleitorado tende a priorizar propostas em vez de palanques políticos.

Ele também afirmou não ter “constrangimento” em fazer campanha onde não houver apoio local e declarou: “Eu fico constrangido é de roubar, como muita gente tem roubado no Brasil. Isso eu não faço, não.” O desenho de alianças regionais, segundo ele, está sendo conduzido pelo presidente nacional do Novo, Eduardo Ribeiro.

Distanciamento de polos políticos

Zema admitiu enfrentar rejeição tanto entre eleitores ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva quanto entre apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, classificando o cenário como natural. Ele destacou divergências com ambos os campos políticos e citou diferenças em relação a Bolsonaro. “Tem muitos pontos em que atuamos diferente do Bolsonaro. Eu tomei vacina, acredito na vacina.”

Ao abordar transparência administrativa, afirmou que não possui parentes ocupando cargos no governo estadual. “Eu falo com orgulho que não tenho um parente no Estado, que se beneficiou do meu cargo. Eu não tenho caixa preta aqui.” Em seguida, fez críticas genéricas ao cenário nacional: “O que nós estamos vendo é o Brasil se transformar no país das caixas pretas, da distribuição ou de cargos, ou de contratos.”

Ataques ao Judiciário e defesa de impeachment

Em um dos trechos mais contundentes da entrevista, Zema criticou o Supremo Tribunal Federal e defendeu a possibilidade de impeachment de ministros. “Agora, a mais alta Corte do Brasil precisando de um Código de Ética. É a mesma coisa que falar que o Papa precisa de um caderninho de Eucaristia para aprender a Eucaristia”, afirmou. Ele disse preferir o afastamento de magistrados a medidas internas de conduta e declarou esperar uma renovação do Senado para viabilizar esse processo.

Ao comentar o tema, elevou o tom das críticas: “O que nós estamos vendo no Brasil é uma aberração, uma afronta ao brasileiro que trabalha todos os dias.” Também citou o Superior Tribunal de Justiça, sem mencionar nomes, ao afirmar: “Lá no Superior Tribunal de Justiça tem um agressor sexual também. Essas pessoas têm de ser expelidas do setor público.”

Agenda econômica e propostas de reformas

Na área econômica, Zema disse que o país enfrenta risco fiscal e descreveu a dívida pública federal como uma “bomba-relógio”. Segundo ele, o próximo presidente terá de conter gastos para reduzir juros e estimular o crescimento. “Com uma taxa de juros de 15% a economia simplesmente não cresce”, afirmou.

Entre as propostas, citou uma nova reforma da Previdência e uma reforma administrativa. “Nós vamos ter uma nova reforma da Previdência, não tem como fugir.” Também defendeu rever programas sociais com regras mais rígidas. “Se foi oferecido um emprego para você e você não quiser, seu auxílio está suspenso.”

O governador criticou ainda o tamanho da estrutura federal e sugeriu reduzir o número de ministérios. “Na minha opinião, 22 ministérios seriam mais do que suficientes, isso você faz de uma hora para a outra.” Segundo ele, a despesa com juros seria a maior do orçamento federal, estimada em “R$ 1 trilhão por ano”.

Situação fiscal de Minas e privatizações

Questionado sobre relatório que apontaria caixa negativo em Minas no último quadrimestre de 2025, Zema contestou a metodologia e afirmou que o estado mantém pagamentos em dia. Ele reconheceu frustração de arrecadação e adiamento de investimentos, mas disse haver previsões seguras de fluxo de caixa.

Sobre privatizações, afirmou que o calendário eleitoral dificulta avanços no caso da Cemig. Já em relação à Copasa, declarou que o leilão na B3 deve ocorrer “muito provavelmente” no primeiro semestre.

Discurso político e posicionamento eleitoral

A entrevista indica que Zema pretende disputar espaço como alternativa dentro do campo da direita, combinando defesa de ajuste fiscal, críticas a instituições e discurso de gestão. Ao rejeitar a vice em eventual chapa liderada por Flávio Bolsonaro, o governador sinaliza estratégia de autonomia política e tentativa de consolidar identidade própria na corrida presidencial.

O desafio, segundo avaliação implícita nas próprias declarações, será ampliar alcance nacional e reduzir resistências eleitorais sem perder apoio de setores que defendem reformas econômicas profundas e posicionamentos mais duros contra instituições.

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