Investimento estrangeiro no Brasil é o maior em 9 anos

Nos 12 meses encerrados em janeiro de 2026, o investimento estrangeiro direto no Brasil somou 79,1 bilhões de dólares. Considerando a mesma janela móvel de 12 meses até janeiro de cada ano, esse é o maior valor da série desde 2017.

Em igual período até janeiro de 2025, o investimento direto havia alcançado 72,8 bilhões de dólares. Em janeiro de 2022 (comparamos aqui porque também era um ano eleitoral), o acumulado em 12 meses era de 47,2 bilhões, e em janeiro de 2021, no auge dos efeitos da pandemia, havia recuado para 38,8 bilhões.

Em proporção do Produto Interno Bruto (PIB), o investimento estrangeiro direto chegou a 3,42% no acumulado até janeiro de 2026, levemente acima dos 3,37% de janeiro de 2025. Em janeiro de 2022, essa proporção era de 2,81%, e em janeiro de 2021 havia caído para 2,68%.

O investimento estrangeiro direto é o recurso que entra para abrir, ampliar ou comprar participação em empresas e projetos produtivos no país. Diferentemente do capital de curto prazo, que entra e sai rapidamente em ações e títulos, esse tipo de investimento está ligado à produção, ao emprego e à expansão da atividade econômica.

A importância desse resultado fica ainda mais clara quando se observa o comportamento das contas externas. O déficit em conta corrente nos 12 meses até janeiro de 2026 foi de 67,6 bilhões de dólares, o equivalente a 2,92% do PIB.

Um ano antes, o déficit acumulado era maior: 72,4 bilhões de dólares, ou 3,35% do PIB. Ou seja, o Brasil reduziu em 4,8 bilhões de dólares o saldo negativo das transações correntes e também diminuiu o peso desse déficit em relação ao tamanho da economia.

Conta corrente é o saldo entre o que o país envia ao exterior e o que recebe de fora, somando comércio de mercadorias, serviços, turismo, juros, lucros e dividendos e transferências como remessas familiares. Quando o resultado é negativo, significa que saíram mais recursos do que entraram nessas rubricas.

O ponto decisivo é que, no acumulado mais recente, o investimento estrangeiro direto superou o déficit em conta corrente. Em outras palavras, a entrada produtiva de recursos foi suficiente para cobrir o saldo negativo das transações correntes.

O comércio de mercadorias continua sendo um dos pilares do setor externo. Nos 12 meses até janeiro de 2026, o superávit da balança comercial foi de 61,8 bilhões de dólares, praticamente o mesmo valor registrado um ano antes.

No mês de janeiro, o resultado foi ainda mais favorável. O superávit comercial somou 3,5 bilhões de dólares, contra 1,4 bilhão em janeiro de 2025.

A conta de serviços também apresentou melhora no acumulado em 12 meses. O déficit caiu de 56,2 bilhões até janeiro de 2025 para 52,3 bilhões até janeiro de 2026.

Dentro de serviços, o transporte contribuiu para essa melhora. O déficit acumulado de transportes caiu de 15,6 bilhões para 13,3 bilhões de dólares na comparação anual.

O turismo, por outro lado, pressionou o saldo. Nos 12 meses até janeiro de 2026, as receitas com turistas estrangeiros no Brasil somaram 7,8 bilhões de dólares, enquanto os gastos de brasileiros no exterior chegaram a 22,1 bilhões.

Isso levou o déficit do turismo a 14,3 bilhões de dólares no acumulado de 12 meses, acima dos 12,4 bilhões registrados até janeiro de 2025. O aumento se deveu principalmente à elevação dos gastos de brasileiros fora do país.

Outro componente importante da conta corrente são os lucros e dividendos enviados ao exterior. Nos 12 meses até janeiro de 2026, o saldo negativo dessa rubrica foi de 54,3 bilhões de dólares.

Esse valor é superior ao de janeiro de 2025, quando o déficit acumulado era de 52,5 bilhões. O aumento reflete o desempenho das empresas com capital estrangeiro instaladas no Brasil, que enviaram parte maior de seus resultados às matrizes.

Os juros pagos ao exterior também pesam na conta. No acumulado de 12 meses até janeiro de 2026, o saldo negativo foi de 28,7 bilhões de dólares, menor do que os 30,5 bilhões registrados um ano antes.

Existe ainda a renda secundária, que inclui transferências como remessas familiares e doações. Nesse caso, o saldo é positivo e ajuda a compensar parte das saídas: foram 5,6 bilhões de dólares no acumulado até janeiro de 2026, contra 4,5 bilhões um ano antes.

Além dos fluxos, o setor externo também é medido pelo estoque de reservas internacionais. No fim de janeiro de 2026, as reservas estavam em 364,4 bilhões de dólares.

Em janeiro de 2025, eram 328,3 bilhões, o que representa aumento de 36,1 bilhões em um ano. Esse crescimento reforça o colchão de segurança do país diante de choques externos.

Em termos internacionais, o Brasil também aparece bem posicionado. Em 2024, o investimento estrangeiro direto representou cerca de 3,4% do PIB brasileiro, percentual superior ao de economias como México (2,4%), Argentina (1,8%), Estados Unidos (1,0%), Índia (0,7%) e China (0,1%).

Esse conjunto de dados ajuda a explicar por que o resultado recente é relevante. O investimento estrangeiro direto acumulado em 12 meses até janeiro de 2026 é o maior da última década, supera com folga o déficit em conta corrente e ocorre em um contexto de reservas internacionais em expansão.

A combinação de déficit externo menor, investimento produtivo elevado e reservas robustas reduz o risco de aperto de dólares e reforça a estabilidade externa da economia brasileira.

Miguel do Rosário: Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.
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