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Lula 3 tem o melhor resultado fiscal dos últimos 4 governos

O Ministério da Fazenda mantém uma série comparativa do resultado primário acumulado por governo. A metodologia é simples: soma-se tudo o que entrou e tudo o que saiu ao longo de cada mandato e calcula-se o saldo como proporção do PIB. Nesse critério, o desempenho do Lula 3 ajuda a explicar o título deste artigo. […]

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23.02.2026 - Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião privada com o Presidente da República da Coreia Local: Cheong Wa Dae Foto: Ricardo Stuckert/PR

O Ministério da Fazenda mantém uma série comparativa do resultado primário acumulado por governo. A metodologia é simples: soma-se tudo o que entrou e tudo o que saiu ao longo de cada mandato e calcula-se o saldo como proporção do PIB. Nesse critério, o desempenho do Lula 3 ajuda a explicar o título deste artigo. De janeiro de 2023, quando o presidente tomou posse, até janeiro de 2026, o resultado primário acumulado do governo registra déficit equivalente a 0,42% do PIB. Em termos práticos, trata-se de um resultado próximo de zero.

A comparação histórica reforça o contraste. No governo Bolsonaro, entre janeiro de 2019 e dezembro de 2022, o déficit primário acumulado foi de 2,43% do PIB. No governo Temer, de setembro de 2016 a dezembro de 2018, o déficit chegou a 2,09% do PIB. No governo Dilma, o acumulado foi de 1,94% do PIB. Todos negativos, e todos significativamente superiores ao registrado até aqui pelo atual governo.

Ou seja, é o melhor resultado dos últimos 4 governos (Dilma II, Temer, Bolsonaro e Lula II).

No mês de janeiro último, o Governo Central registrou superávit primário de R$ 86,9 bilhões, resultado de uma receita líquida de R$ 272,8 bilhões frente a uma despesa de R$ 185,8 bilhões. A receita líquida cresceu 1,2% em termos reais em relação a janeiro de 2025, que já havia sido um mês recorde de arrecadação. O avanço, portanto, ocorreu sobre uma base elevada.

A distinção entre receita total e receita líquida é fundamental para compreender o resultado. Parte da arrecadação federal pertence constitucionalmente a estados e municípios. A União arrecada, mas deve repassar automaticamente essas parcelas. Em janeiro, essas transferências por repartição de receita somaram R$ 49,3 bilhões, recursos que não permanecem no caixa federal. O valor transferido foi 6,7% maior, em termos reais, do que o registrado em janeiro de 2025.

No acumulado de 12 meses até janeiro de 2026, o governo federal transferiu R$ 582,67 bilhões para estados e municípios. Nos 12 meses até janeiro de 2025, o total havia sido de R$ 554 bilhões, o que representa crescimento real de aproximadamente 5,2%. A comparação com janeiro de 2022 é ainda mais expressiva: naquele momento, as transferências acumuladas somavam R$ 455 bilhões. Em relação a esse patamar, o aumento atinge cerca de 28,1% em termos reais. A arrecadação cresce, e a parcela repartida com governadores e prefeitos cresce junto.

No acumulado de 12 meses até janeiro de 2026, o resultado primário ficou negativo em R$ 62,7 bilhões, o equivalente a 0,48% do PIB. Trata-se de um déficit moderado e coerente com a trajetória observada desde o início do mandato.

Ao mesmo tempo, há recomposição de áreas sociais estratégicas. Na saúde, somando-se despesas obrigatórias e discricionárias, o gasto total nos 12 meses até janeiro de 2026 alcançou R$ 232,3 bilhões, em valores reais. No acumulado até janeiro de 2025, o total havia sido de R$ 219,49 bilhões, crescimento real de aproximadamente 5,8%. A comparação com janeiro de 2022 evidencia a mudança de escala: naquele momento, o total aplicado em saúde era de R$ 158,3 bilhões. O aumento até o nível atual corresponde a expansão real próxima de 46,8%.

O Benefício de Prestação Continuada também apresenta avanço significativo. Nos 12 meses até janeiro de 2026, o gasto acumulado foi de R$ 129,68 bilhões, contra cerca de R$ 120 bilhões no acumulado até janeiro de 2025, crescimento real aproximado de 8,1%. Em janeiro de 2022, o valor acumulado era de R$ 86,25 bilhões; a expansão até o patamar atual alcança cerca de 50,4% em termos reais.

Já o Bolsa Família totalizou R$ 159,65 bilhões nos 12 meses até janeiro de 2026, abaixo dos R$ 178,3 bilhões observados no acumulado até janeiro de 2025. A redução é compatível com a saída de famílias por melhora de renda e revisões cadastrais, refletindo a dinâmica do mercado de trabalho.

O conjunto dos dados sugere um quadro de estabilização fiscal com ampliação de políticas públicas. O déficit acumulado do mandato permanece baixo como proporção do PIB, as transferências federativas avançam de forma consistente e o financiamento da saúde e da proteção social cresce em termos reais. Em perspectiva histórica recente, o desempenho do Lula 3 coloca as contas públicas em posição mais equilibrada do que a maior parte dos governos da última década.

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Miguel do Rosário

Miguel do Rosário é jornalista e editor do blog O Cafezinho. Nasceu em 1975, no Rio de Janeiro, onde vive e trabalha até hoje.

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