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Nova pesquisa Atlas acende sinal amarelo para o governo
24.02.2026 - Presidente da Republica Luiz Inacio Lula da Silva durante reunião de trabalho com o Presidente dos Emirados Árabes Unidos, Xeique Mohammed bin Zayed Al Nahyan Aeroporto Internacional de Abu Dhabi, sala Majlis. Foto: Ricardo Stuckert / PR
A pesquisa Atlas Intel mostra Lula na liderança do primeiro turno, mas com sinais de preocupação para sua campanha de reeleição.
No cenário principal, Lula aparece com 45% das intenções de voto, contra 37,9% de Flávio Bolsonaro, uma vantagem expressiva que o mantém como favorito. Os demais candidatos aparecem bem atrás e não alteram o eixo central da disputa neste momento. A vantagem de Lula, contudo, caiu de confortáveis 14 pontos em janeiro, para 7 pontos agora.
Nos cenários de segundo turno, Lula e Flávio Bolsonaro aparecem rigorosamente empatados, com 46,2% para Lula e 46,3% para Flávio. Isso indica que os eleitores dos candidatos menores, ao serem forçados a escolher entre os dois polos, tendem a migrar majoritariamente para Flávio Bolsonaro — o que faz sentido, já que a maioria desses candidatos é alinhada ideologicamente com o campo bolsonarista.
O padrão, aliás, é muito semelhante ao que Tarcísio de Freitas vinha apresentando nos cenários de segundo turno ao longo dos últimos 15 meses — ora ligeiramente à frente, ora ligeiramente atrás de Lula, mas sempre numa faixa de empate técnico. A coincidência não é casual: sugere que o eleitorado potencial de Tarcísio já migrou integralmente para Flávio Bolsonaro, e que o teto do campo bolsonarista no segundo turno permanece essencialmente o mesmo, independentemente do nome que o represente.
Na avaliação presidencial, a Atlas registra oscilação dentro da margem de erro: a aprovação vai de 48,7% para 46,6%, enquanto a desaprovação passa de 50,7% para 51,5%. Não há ruptura, mas há um leve deslocamento negativo.
Outro dado relevante é o índice de rejeição. Lula aparece com 48,2% de rejeição, contra 46,4% de Flávio Bolsonaro, mostrando que ambos carregam níveis elevados de resistência no eleitorado.
A pesquisa também mediu o sentimento de medo ou preocupação em relação aos possíveis resultados eleitorais. Perguntados sobre qual cenário causa mais preocupação, 47,5% disseram temer a reeleição de Lula, enquanto 44,9% afirmaram temer a eleição de Flávio Bolsonaro. Combinados com os índices de rejeição, esses números retratam um país dividido praticamente ao meio, onde o voto é cada vez menos uma adesão entusiasmada e cada vez mais uma escolha contra o adversário.
Para colocar o momento em perspectiva, vale observar o ciclo anterior com o mesmo instituto. Em 2022, segundo a Atlas Intel, Jair Bolsonaro tinha apenas 33% de aprovação em março, enquanto sua desaprovação estava em 65%.
Ao longo da campanha, porém, Bolsonaro elevou sua aprovação para algo próximo de 44% na reta final de outubro e conseguiu reduzir expressivamente sua desaprovação para 53%. O histórico recente mostra que incumbentes tendem a recuperar apoio quando a campanha começa, porque deixam de ser apenas alvo de desgaste cotidiano e passam a ter mais oportunidade de mostrar o que fizeram durante sua gestão, disputando a narrativa em condições mais equilibradas.
Os cruzamentos demográficos também chamam atenção. No recorte por renda, Lula aparece atrás entre os mais pobres e muito forte entre os mais ricos, enquanto Flávio Bolsonaro faz o movimento inverso.
Esse padrão contraria o comportamento tradicional do eleitorado lulista e o que outros institutos vêm registrando. É normal que haja variações amostrais de uma pesquisa para outra, ainda mais considerando a elevadíssima margem de erro nesses estratos, mas uma inversão tão contrária à média (e ao senso comum) indica que o método da Atlas Intel pode ter inconsistências.
Outra distorção aparece nos segmentos ligados ao comportamento eleitoral de 2022. Em grupos como “voto branco/nulo” e “não votou”, Renan Santos registra percentuais muito altos para um candidato pouco conhecido. Neste caso, Renan pontua 22% entre quem não votou em 2022.
Ao mesmo tempo, a Atlas confirma a forte cristalização dos blocos. Entre quem votou em Lula no segundo turno de 2022, 89% declaram intenção de repetir o voto, enquanto, entre quem votou em Bolsonaro, Flávio concentra cerca de 80,9% e a desaprovação de Lula chega a 99,5%.
O retrato final é de um país altamente polarizado, com pouca permeabilidade entre os dois campos e com margens estreitas decidindo o jogo. Para Lula, a equação é clara: precisa chegar ao primeiro turno com pelo menos 10 pontos de vantagem para garantir uma vitória confortável no segundo turno, já que a migração dos votos dos candidatos menores tende a favorecer o campo adversário.
Com 7 pontos de vantagem hoje, o caminho existe, mas é estreito. Se ao longo da campanha Lula conseguir recuperar parte da aprovação perdida nos últimos meses — o que o precedente de 2022 sugere ser possível para incumbentes —, a vantagem no primeiro turno pode se ampliar o suficiente para tornar o segundo turno menos incerto.
Abaixo, alguns gráficos retirados do relatório da Atlas.