Flávio Bolsonaro lidera PL e tenta acabar com a guerra interna no partido

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O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ampliou nos últimos dias sua agenda política com foco na consolidação de sua pré-candidatura à Presidência da República e na reorganização das estratégias do Partido Liberal nos estados. De volta ao Brasil após viagens internacionais, o parlamentar passou a priorizar a definição de alianças e candidaturas consideradas estratégicas para fortalecer o projeto eleitoral da legenda.

Segundo relatos de aliados, a prioridade é fechar o desenho das chapas estaduais antes do início oficial da agenda pública de lançamentos, prevista para março. O objetivo é chegar ao período pré-eleitoral com a estrutura partidária alinhada nacionalmente. As articulações contam com o aval direto do ex-presidente Jair Bolsonaro, que teria delegado ao filho a condução de decisões políticas relevantes dentro do partido.

Definições estaduais e disputas internas

Entre os dias 24 e 25, Flávio anunciou encaminhamentos em disputas internas no Rio de Janeiro e em Santa Catarina. No estado fluminense, confirmou o secretário estadual das Cidades, Douglas Ruas (PL), como candidato ao governo, superando divergências com o governador Cláudio Castro (PL). Também comunicou que o líder do PL no Senado, Carlos Portinho, não terá espaço para disputar a reeleição pela sigla.

Em Santa Catarina, o senador confirmou uma chapa formada exclusivamente por nomes do PL para a disputa ao Senado: a deputada Caroline De Toni e o ex-vereador Carlos Bolsonaro. A decisão contrariou planos do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto, e evidenciou o aumento da influência de Flávio nas definições eleitorais internas.

Agenda política e articulações nacionais

A intensificação das movimentações ocorreu após viagens ao exterior. Durante o Carnaval, o senador esteve nos Estados Unidos, onde discursou em evento da organização conservadora PragerU. Em janeiro, cumpriu compromissos no Oriente Médio e na Europa.

Na quarta-feira, visitou o pai no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, onde Jair Bolsonaro cumpre pena. No mesmo dia, reuniu deputados e senadores do PL para defender a necessidade de “união” em torno de sua pré-candidatura. Parlamentares presentes classificaram o encontro como um movimento de alinhamento interno.

Relatos indicam que o senador ressaltou que a construção de alianças pode gerar insatisfações entre correligionários, mas pediu cooperação, afirmando que o projeto nacional deve prevalecer sobre interesses individuais.

Negociações e formação de palanques

Anotações atribuídas a Flávio indicam envolvimento direto na definição de palanques estaduais. Nos registros manuscritos, aparecem referências a conversas pendentes e negociações em curso com lideranças regionais.

Um dos trechos menciona a chapa à reeleição do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com questionamentos sobre o nome do vice, Felício Ramuth (PSD). O senador deve se reunir com Tarcísio para tratar da formação do palanque no maior colégio eleitoral do país.

A direção do PL avalia que a montagem das chapas estaduais é etapa central da estratégia presidencial. Flávio indicou que a legenda poderá lançar até 11 candidatos a governador, ao mesmo tempo em que trabalha para ampliar sua bancada no Senado — movimento considerado prioritário por Jair Bolsonaro.

Tentativa de reduzir tensões internas

Além da agenda eleitoral, o senador tem buscado diminuir divergências dentro do campo bolsonarista. Tensões envolvendo a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado Nikolas Ferreira ganharam visibilidade recentemente.

Em reunião com parlamentares, Flávio afirmou não haver desentendimentos com os dois. Nikolas participou do encontro e fez elogios ao senador. Michelle não esteve presente, mas enviou mensagem informando que visitava o ex-presidente.

Aliados também relatam que o parlamentar atuou para aproximar o deputado Eduardo Bolsonaro e o governador Tarcísio de Freitas, indicando esforço para unificar diferentes alas do grupo político.

Estratégia para 2026

Lançado pelo pai como pré-candidato ao Planalto ainda em 2025, Flávio Bolsonaro passou a ocupar posição central nas decisões estratégicas do PL para a eleição de 2026. A construção de alianças estaduais, a ampliação da presença no Senado e a busca por apoio de partidos de centro formam o eixo principal da estratégia eleitoral em andamento.

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