A prisão de Adilson Oliveira Coutinho Filho, conhecido como Adilsinho, encerrou anos de buscas por um dos nomes mais influentes da contravenção no Rio de Janeiro. O contraventor foi localizado na manhã desta quinta-feira (26) em Cabo Frio, na Região dos Lagos, após monitoramento com drones que confirmou seu paradeiro. A ação foi conduzida pela Força Integrada de Combate ao Crime Organizado no Rio de Janeiro, reunindo agentes da Polícia Federal do Brasil, da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro e do Ministério Público Federal.
Apontado pelas investigações como integrante da cúpula do jogo do bicho e principal operador da produção e distribuição de cigarros falsificados no estado, Adilsinho exerceria influência em áreas estratégicas da capital fluminense, incluindo regiões da Zona Sul, Centro e Zona Norte. No momento da prisão, também foi detido o policial militar Diego D’arribada Rebello de Lima, lotado na UPP Fazendinha/Alemão, suspeito de atuar como segurança do contraventor.
Contra Adilsinho havia cinco mandados de prisão em aberto. Na esfera federal, ele é investigado como líder da chamada máfia do cigarro. Na Justiça estadual, responde como suposto mandante de homicídios ligados a disputas na contravenção, incluindo assassinatos de rivais. As autoridades também investigam a possível participação do grupo em cerca de 20 crimes atribuídos a um esquadrão de extermínio, entre execuções consumadas e tentativas.
A captura ocorre no desdobramento da Operação Libertatis, iniciada em 2023 e voltada ao combate a crimes como tráfico de pessoas, exploração de trabalhadores em condições análogas à escravidão, fraudes comerciais e sonegação fiscal. Na primeira fase, agentes encontraram uma fábrica clandestina de cigarros em Duque de Caxias onde 19 trabalhadores paraguaios viviam e trabalhavam em situação degradante, submetidos a jornadas exaustivas, restrição de liberdade e ausência de remuneração, segundo a polícia.
Investigações posteriores indicaram que a organização criminosa expandiu a atuação para dezenas de municípios fluminenses, impondo monopólio na venda de cigarros ilegais e ameaçando comerciantes que descumprissem a determinação. Estimativas citadas por autoridades apontam que o mercado de cigarros falsificados provocou perdas bilionárias em arrecadação tributária, com impacto expressivo no Rio de Janeiro.
O histórico do contraventor inclui operações policiais anteriores que investigaram lavagem de dinheiro, exploração do jogo ilegal e manipulação de máquinas de apostas. Em uma dessas ações, agentes encontraram milhões de reais escondidos em fundos falsos de sua residência. Além das atividades criminosas, Adilsinho manteve presença em círculos sociais e culturais, tendo fundado um clube de futebol e atuado como patrono da escola de samba Acadêmicos do Salgueiro.
Após a prisão, o contraventor foi encaminhado à sede da Polícia Federal no Rio, onde permanece à disposição da Justiça.