Celso Amorim condena assassinato de líder supremo do Irã e alerta para consequências globais

O assessor especial da Presidência para Assuntos Internacionais, Celso Amorim, classificou como “totalmente condenável” e “inaceitável” a morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei, ocorrida após ataques atribuídos a Estados Unidos e Israel. Em entrevista ao jornal O Globo, o diplomata afirmou que o episódio representa um precedente grave nas relações internacionais e pode ampliar a instabilidade geopolítica.

Segundo Amorim, a eliminação de um chefe de Estado por ação militar externa não pode ser normalizada no sistema internacional. “Acho que, obviamente, matar um líder de um país, à distância, é totalmente condenável, é inaceitável. Ninguém pode se arrogar em juízo do mundo”, declarou. Ele ressaltou que a crítica não implica avaliação do regime iraniano. “Não estou entrando no mérito do governo iraniano, isso é outra questão, mas é para os iranianos julgarem e atuarem”, acrescentou.

Avaliação sobre impactos políticos internos

Na análise do assessor, a operação militar não deve fortalecer grupos oposicionistas dentro do Irã nem contribuir para mudanças políticas imediatas. Para ele, ações externas desse tipo tendem a produzir efeito contrário ao esperado por quem as executa.

“O que foi feito não é uma ajuda à oposição iraniana, se você imaginar, um ataque direto, enfim, um assassinato de um líder de outro país. Certo ou errado o líder, isso não me interessa, eu acho que isso é altamente condenável”, afirmou.

Amorim também destacou que a realidade política iraniana é mais complexa do que frequentemente retratada. Ele recordou que esteve no país em missões diplomáticas a pedido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e afirmou ter observado uma sociedade com divisões internas, mas não em colapso institucional. “É um país que obviamente tem divisões, tem uma oposição, tem várias coisas que nós podemos criticar do nosso ponto de vista, mas não é um país totalmente dividido, totalmente enfraquecido, totalmente debilitado”, disse.

Cenário de crise prolongada

O assessor avalia que a situação internacional decorrente do episódio tende a ser prolongada e de difícil resolução. Para ele, não há indicativos de que o conflito evolua rapidamente para uma solução diplomática ou militar simples.

“É algo duradouro, não sei exatamente que direção isso vai tomar, mas não será uma questão simples”, afirmou. Ao comparar com conflitos anteriores, acrescentou que o caso atual apresenta maior complexidade estratégica e política.

A morte de Khamenei foi confirmada pelo governo iraniano e ocorreu em meio a uma escalada militar regional após ataques contra estruturas estatais atribuídos aos Estados Unidos e a Israel. O cargo de líder supremo é a mais alta autoridade política e religiosa do Irã, função criada após a Revolução Islâmica de 1979 e exercida por Khamenei desde 1989, quando sucedeu Ruhollah Khomeini.

Especialistas avaliam que a sucessão no comando iraniano e a reação internacional aos ataques serão fatores decisivos para definir os rumos da crise nos próximos meses.

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