O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) intensificou as articulações políticas com foco na montagem de uma chapa presidencial que inclua mulheres em posições estratégicas. A estratégia prevê a escolha de uma vice-presidente e de uma futura ministra da Economia, em movimento que busca reduzir a resistência do eleitorado feminino ao bolsonarismo.
Segundo relatos divulgados pela jornalista Andreia Sadi, do G1, as conversas vêm sendo conduzidas nos bastidores com ex-integrantes do governo Jair Bolsonaro e envolvem também a formatação de um programa econômico alinhado ao mercado financeiro.
Estratégia mira redução da rejeição
De acordo com aliados do senador, a presença feminina em postos de destaque poderia contribuir para melhorar a percepção do eleitorado. Na mais recente pesquisa da Quaest, 55% dos entrevistados declararam rejeitar o nome de Flávio Bolsonaro. Em dezembro, quando o senador anunciou a pré-candidatura, esse índice era de 60%.
A avaliação interna é que a composição da chapa e a definição da equipe econômica serão determinantes para ampliar a base eleitoral e reduzir resistências.
Vice-presidência: Tereza Cristina é favorita
Para a vaga de vice-presidente, o nome mais citado entre setores do bolsonarismo é o da ex-ministra da Agricultura Tereza Cristina (PP-MS). Ela integrou o primeiro escalão do governo Bolsonaro e mantém interlocução com lideranças do agronegócio e parlamentares no Congresso.
Parte das articulações, contudo, ainda considera a possibilidade de composição com o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), embora essa alternativa não envolva presença feminina na vice.
Economia: Daniella Marques é cogitada
No campo econômico, o nome defendido nos bastidores é o de Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal. Ela é apontada como próxima do ex-ministro da Economia Paulo Guedes e vista por integrantes do mercado financeiro como um nome de confiança.
Daniella assumiu o comando da Caixa após a saída de Pedro Guimarães, em meio a uma crise institucional no banco público, e passou a ser associada à condução de pautas consideradas alinhadas à agenda liberal defendida pelo governo anterior.
Programa econômico em elaboração
Paralelamente às discussões sobre a chapa, aliados do senador trabalham na elaboração de um programa econômico que deverá embasar a eventual candidatura. A construção desse plano é tratada como prioridade estratégica, especialmente diante dos índices de rejeição identificados nas pesquisas de opinião.
A expectativa é que a definição da composição e das diretrizes econômicas ocorra antes do início formal da campanha, consolidando uma narrativa voltada à estabilidade fiscal, crescimento econômico e diálogo com setores produtivos.
Com a movimentação, Flávio Bolsonaro busca ampliar seu espaço no cenário eleitoral e consolidar uma alternativa competitiva na disputa presidencial.