Lula diz a Zelensky que Ucrânia deve reconhecer perda de territórios para acabar com a guerra

Ricardo Stuckert/Assessoria de Imprensa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o impasse na guerra entre Rússia e Ucrânia persiste por falta de disposição política para reconhecer a realidade territorial do conflito. Segundo ele, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, terá de admitir a perda de áreas ocupadas pelas forças russas como parte de uma eventual negociação de paz.

As declarações foram feitas durante participação na 2ª Conferência Nacional do Trabalho, realizada no centro de convenções do Anhembi, em São Paulo, conforme informações divulgadas pelo jornal O Globo.

Lula defende solução diplomática

Durante o evento, Lula voltou a defender que a diplomacia é o único caminho para encerrar o conflito no Leste Europeu. Para o presidente brasileiro, a atual divisão territorial já é conhecida pelos dois lados e precisa ser considerada nas negociações.

“Por que vocês acham que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia ainda não acabou? A situação está dada. O Putin sabe que ele vai ficar com o que ele já ocupou e o Zelensky sabe que ele não vai ficar com o que ele já perdeu. Acontece que é preciso ter coragem para assumir esse fato”, declarou.

Divergências com Zelensky

A relação entre Lula e Zelensky tem sido marcada por divergências desde o início da guerra. Em ocasiões anteriores, declarações do presidente brasileiro sugerindo responsabilidade compartilhada pelo conflito provocaram críticas internacionais e interpretações de que o Brasil estaria alinhado à Rússia.

O Ministério das Relações Exteriores do Brasil negou essa interpretação e afirmou que o país mantém posição de neutralidade, defendendo negociações e soluções diplomáticas.

Em setembro do ano passado, Lula e Zelensky se encontraram durante a Assembleia-Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Na ocasião, o presidente brasileiro voltou a defender o diálogo como único caminho para a paz. Zelensky agradeceu ao brasileiro pela posição favorável às negociações.

Papel dos Estados Unidos nas tratativas

As discussões internacionais sobre uma possível solução para a guerra têm contado com a participação dos Estados Unidos. O presidente norte-americano, Donald Trump, tem adotado posições consideradas ambíguas em relação ao processo de negociação.

Em alguns momentos, Trump pressionou Zelensky a demonstrar maior abertura às condições apresentadas pelo presidente russo, Vladimir Putin. Em outras ocasiões, afirmou acreditar na possibilidade de uma ofensiva militar ucraniana bem-sucedida.

O conflito entre Rússia e Ucrânia começou em fevereiro de 2022 e permanece sem solução definitiva, com combates concentrados principalmente nas regiões orientais e meridionais do território ucraniano.

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