IBGE: Desemprego no Brasil fica em 5,4% e mantém menor nível da série histórica

RICARDO STUCKERT/PR

A taxa de desocupação no Brasil ficou em 5,4% no trimestre móvel encerrado em janeiro de 2026, mantendo o menor nível da série histórica iniciada em 2012. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (5) pela Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua).

O resultado representa estabilidade em relação ao trimestre anterior e queda de 1,1 ponto percentual na comparação com o mesmo período do ano passado. No total, o país registrou cerca de 5,9 milhões de pessoas desocupadas, o menor contingente desde o início da série comparável.

Na comparação anual, o número de desempregados caiu 17,1%, o equivalente a aproximadamente 1,2 milhão de pessoas a menos em situação de desemprego.

Renda média e massa salarial batem recorde

O levantamento também aponta recorde no rendimento médio real habitual, que chegou a R$ 3.652, o maior valor já registrado pela pesquisa.

O indicador avançou:

  • 2,8% em relação ao trimestre anterior
  • 5,4% na comparação anual

Outro recorde foi registrado na massa de rendimento real habitual, que atingiu R$ 370,3 bilhões. O montante cresceu 2,9% no trimestre e 7,3% em relação ao mesmo período de 2025, o que representa aumento de R$ 25,1 bilhões.

População ocupada atinge maior nível da série

A população ocupada chegou a 102,7 milhões de pessoas, também o maior número já registrado na série histórica.

O contingente:

  • permaneceu estável no trimestre
  • cresceu 1,7% em relação ao ano anterior, o equivalente a 1,7 milhão de trabalhadores a mais

O nível de ocupação, indicador que mede a proporção de pessoas trabalhando entre aquelas em idade ativa, ficou em 58,7%, praticamente estável frente ao trimestre anterior.

Segundo a coordenadora de pesquisas domiciliares do IBGE, Adriana Beriguy, os dados indicam estabilidade no mercado de trabalho mesmo com os efeitos sazonais típicos do início do ano.

“Embora a entrada do mês de janeiro tenda a reduzir o contingente de trabalhadores, muitas vezes devido à dispensa de temporários, os efeitos favoráveis de novembro e dezembro reduziram o impacto desse movimento sazonal”, afirmou.

Informalidade e desalento recuam

Outro indicador que apresentou melhora foi a taxa de informalidade, que ficou em 37,5% da população ocupada, o menor nível desde julho de 2020. Isso corresponde a cerca de 38,5 milhões de trabalhadores informais.

No trimestre anterior, a taxa era de 37,8%, enquanto no mesmo período de 2024 havia sido de 38,4%.

O número de desalentados, pessoas que desistiram de procurar emprego, somou 2,7 milhões. O total permaneceu estável no trimestre, mas caiu 15,2% em relação ao ano anterior, com 476 mil pessoas a menos nessa condição.

Já a taxa de subutilização da força de trabalho — que reúne desempregados, subocupados ou pessoas disponíveis para trabalhar — ficou em 13,8%, estável no trimestre e 1,8 ponto percentual menor que no ano passado.

Emprego formal cresce

Entre os trabalhadores com carteira assinada no setor privado, excluindo empregados domésticos, o total chegou a 39,4 milhões.

O número:

  • permaneceu estável no trimestre
  • cresceu 2,1% na comparação anual, cerca de 800 mil trabalhadores a mais

Os empregados sem carteira somaram 13,4 milhões, com estabilidade nas duas comparações.

Já os trabalhadores por conta própria atingiram 26,2 milhões, também estáveis no trimestre, mas com alta de 3,7% no ano.

No caso do trabalho doméstico, o total de ocupados foi de 5,5 milhões, com estabilidade no trimestre, mas queda de 4,5% na comparação anual.

Setores que mais geraram empregos

Entre os setores de atividade, houve crescimento do número de ocupados em:

  • Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias e profissionais (+2,8% no trimestre)
  • Outros serviços (+3,5%)

Por outro lado, a indústria geral registrou retração de 2,3% no número de trabalhadores ocupados na comparação trimestral.

Na análise anual, os maiores avanços ocorreram em:

  • Informação, comunicação e atividades financeiras e profissionais (+4,4%)
  • Administração pública, educação, saúde e serviços sociais (+6,2%)

Já o setor de serviços domésticos apresentou queda de 4,2% no número de trabalhadores em relação ao mesmo período do ano passado.

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.