Caso Master: Vorcaro e Moraes trocavam mensagens em modo de visualização única

Assessoria/Banco Master e Marcelo Camargo/Agência Brasil

Novas informações sobre a investigação envolvendo o Banco Master indicam que supostas mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Bueno Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes teriam sido enviadas por meio de imagens configuradas para visualização única no WhatsApp. As informações foram divulgadas pela jornalista Malu Gaspar em reportagem publicada pelo jornal O Globo.

Segundo a apuração, as mensagens fariam parte de uma sequência de contatos que teriam ocorrido ao longo de todo o dia 17 de novembro de 2025, data em que Vorcaro foi preso pela Polícia Federal no Aeroporto Internacional de São Paulo/Guarulhos, antes de embarcar em um voo internacional.

O celular do empresário foi apreendido no momento da prisão e passou a integrar o conjunto de provas analisadas pelos investigadores.

Estratégia dificultaria preservação das mensagens

De acordo com a reportagem, o método utilizado pelos interlocutores dificultava o registro permanente das conversas. Tanto Vorcaro quanto Moraes teriam escrito seus textos inicialmente no bloco de notas dos celulares, capturado imagens da tela e enviado essas capturas via WhatsApp utilizando o recurso de visualização única.

Essa funcionalidade faz com que a imagem desapareça após ser aberta pelo destinatário, impedindo que o conteúdo permaneça armazenado no aparelho de quem recebeu a mensagem.

Por esse motivo, as respostas atribuídas ao ministro não aparecem no material encontrado no celular do banqueiro.

Já as mensagens escritas por Vorcaro teriam permanecido registradas no próprio aparelho porque os textos foram redigidos previamente no bloco de notas antes de serem transformados em imagens e enviados. Os arquivos originais permaneceram armazenados no dispositivo apreendido.

Investigadores reconstruíram cronologia

Segundo a reportagem, os investigadores conseguiram recuperar o conteúdo dessas anotações e identificar os horários em que os textos foram criados. A comparação entre esses registros e os horários de envio das imagens teria permitido reconstruir a cronologia dos contatos ocorridos no dia da prisão.

As trocas de mensagens teriam ocorrido ao longo de todo o dia 17 de novembro de 2025, durante o episódio que culminou na detenção do banqueiro.

Crise levou à liquidação do Banco Master

Menos de 12 horas após a prisão de Vorcaro, o Banco Central do Brasil determinou a liquidação da instituição financeira, encerrando suas operações. A decisão provocou forte repercussão no sistema financeiro e desencadeou uma série de investigações sobre a situação do banco.

Vorcaro permaneceu preso por 11 dias e foi liberado posteriormente por decisão da desembargadora Solange Salgado, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1). A magistrada determinou medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e a retenção do passaporte do empresário.

Moraes nega recebimento das mensagens

Procurado pelo jornal, Alexandre de Moraes afirmou, em nota, que não recebeu as mensagens mencionadas na reportagem. O ministro declarou que “trata-se de ilação mentirosa no sentido, novamente, de atacar o STF”.

A defesa de Daniel Vorcaro informou que não comentaria o conteúdo divulgado.

As novas informações acrescentam elementos a um caso que mobiliza autoridades judiciais, reguladores do sistema financeiro e investigadores federais. A eventual existência de contatos entre o empresário e um ministro do STF durante o momento mais crítico da crise do Banco Master ampliou o debate público sobre os desdobramentos institucionais da investigação.

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