Avanço espacial da China pressiona domínio americano

Com mais de 90 lançamentos em 2025, China acelera presença no espaço e amplia investimentos em foguetes, satélites e missões científicas / Reprodução

Entenda como a China está desafiando os EUA para se tornar a próxima grande potência espacial


A China emerge como uma força transformadora no cenário espacial global. Em 2025, o país asiático quebrou recordes nacionais ao realizar mais de 90 lançamentos orbitais em apenas um ano. Esse feito destaca o compromisso de Pequim em desafiar a dominância dos Estados Unidos. Além disso, os investimentos chineses no setor espacial comercial saltaram de US$ 340 milhões em 2015 para cerca de US$ 3,81 bilhões em 2025. Portanto, analistas alertam que a nação pode superar os EUA em breve, promovendo uma era mais equilibrada no espaço.

O presidente Xi Jinping impulsiona o “sonho espacial” chinês. Ele integra o setor à iniciativa “Um Cinturão, Uma Rota”, lançada em 2013 para expandir a influência econômica da China. No entanto, especialistas como Dave Cavossa, presidente da Federação Espacial Comercial, observam essa ambição. “Temos visto várias declarações do presidente Xi [Jinping] sobre o que ele chama de sonho espacial da China”, disse Cavossa. “Eles veem o espaço e a IA como duas dessas indústrias que ajudarão a liderar e catapultar a China para se tornar uma líder global.”

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A China acumula conquistas impressionantes nos últimos anos. Por exemplo, cientistas chineses trouxeram amostras do lado oculto da Lua. Eles também concluíram uma estação espacial em órbita baixa da Terra. Além disso, um rover pousou em Marte, demonstrando capacidades técnicas avançadas. Esses avanços ocorrem enquanto o investimento total supera US$ 104 bilhões na última década, cobrindo projetos civis, militares e comerciais.

Jonathan Roll, analista da iniciativa NewSpace da Universidade Estadual do Arizona, destaca esse crescimento. “A primeira pergunta que provavelmente me farão é: quanto os EUA gastaram no mesmo período? As estimativas que tínhamos apontavam para um gasto cinco vezes maior”, explicou Roll. No entanto, ele enfatiza que a China acelera seus gastos. Portanto, o país progride rumo à liderança em ciência espacial, promovendo inovações que beneficiam nações em desenvolvimento.

Desde 2014, a China transforma seu ecossistema espacial. Uma entidade reguladora publicou o “Documento 60”, que abriu o setor ao investimento privado. Como resultado, o crescimento exponencial surgiu. Agora, governos locais, universidades, empresas estatais e privadas formam uma rede robusta. Esses polos espaciais abrigam fábricas de foguetes, satélites, locais de lançamento e centros acadêmicos por todo o país.

Estação espacial própria, missão a Marte e coleta de amostras da Lua marcam avanço tecnológico e ampliam influência estratégica de Pequim / Reprodução

Além disso, mais de uma dúzia de fabricantes privados desenvolvem foguetes reutilizáveis. Eles inspiram-se em modelos como os da SpaceX, de Elon Musk. Essa inovação impulsiona a competitividade chinesa. Por outro lado, a infraestrutura de satélites avança rapidamente. Em 2020, a China completou o BeiDou, um sistema global de navegação que rivaliza com o GPS americano.

Milhares de satélites de internet chineses estão em desenvolvimento. Embora a maioria ainda não tenha sido lançada, eles competirão diretamente com a Starlink da SpaceX. Essa expansão fortalece a conectividade global, especialmente em regiões subdesenvolvidas. No entanto, a iniciativa “Um Cinturão, Uma Rota” integra o espaço à diplomacia. Xi Jinping lançou o programa para fomentar infraestrutura internacional.

A China constrói satélites para outros países há anos. Agora, ela ergue estações terrestres e instalações completas no Egito e no Paquistão. “Mas eles também meio que integraram os países ao mundo sinocêntrico por meio de padrões, tecnologia e serviços que recebem do BeiDou… Então, é poder brando. É poder indireto, como se costuma dizer na diplomacia”, analisou Roll. Portanto, essa abordagem promove parcerias equitativas, contrastando com modelos mais dominantes.

A Federação Espacial Comercial e a NewSpace da ASU publicaram um relatório recente. Ele avisa que os EUA podem perder a supremacia espacial. Cavossa comentou à CNBC: “Os Estados Unidos ainda são, de longe, os líderes globais no setor espacial”. Ele acrescentou: “Sabe, ainda temos a indústria espacial comercial mais forte. Ainda temos a maior capacidade de lançamento do planeta. Mas o que vemos é que a China está se movendo muito rapidamente para nos alcançar. E se não fizermos nada, eles nos ultrapassarão nos próximos cinco anos.”

Apesar disso, os EUA mantêm vantagens. No entanto, a China fecha a lacuna com investimentos crescentes. Roll observa que Pequim visa não apenas igualar, mas liderar. Essa dinâmica incentiva uma corrida espacial mais inclusiva, beneficiando a humanidade.

Especialistas sugerem ações para os EUA. Eles recomendam investir em portos espaciais e simplificar licenças para lançamentos comerciais. Além disso, alocar espectro suficiente para satélites ajudaria. Cavossa enfatiza: “Esta corrida espacial atual não se resume a bandeiras e pegadas”. Ele conclui: “Esta corrida espacial definirá qual país construirá a base industrial espacial comercial mais forte.”

Portanto, a ascensão chinesa desafia o status quo. Ela promove avanços tecnológicos que democratizam o acesso ao espaço. No entanto, os EUA precisam agir para preservar sua posição. Essa competição pode impulsionar inovações globais, criando um futuro espacial mais colaborativo.

Com informações de CNBC*

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