A perícia da Polícia Federal nos celulares apreendidos do empresário Daniel Vorcaro pode conseguir recuperar mensagens apagadas e registros ocultos nos dispositivos, ampliando o alcance das investigações que envolvem o dono do Banco Master. A informação foi divulgada inicialmente pelo O Globo.
Segundo especialistas em perícia digital ouvidos pela reportagem, mesmo conteúdos deletados ou enviados com recursos de privacidade — como mensagens de visualização única — podem deixar rastros técnicos capazes de ser identificados durante a análise forense dos aparelhos.
Tecnologia permite acessar dados que foram apagados
Após a apreensão de um celular, peritos realizam um procedimento conhecido como extração completa da memória do dispositivo, que cria uma cópia integral de todos os dados armazenados no aparelho.
Esse processo permite acessar não apenas arquivos visíveis ao usuário, mas também fragmentos de informações que permanecem gravados no sistema mesmo após serem apagados.
Para realizar esse tipo de análise, investigadores utilizam ferramentas de perícia digital amplamente empregadas por forças de segurança em diversos países, capazes de extrair:
mensagens apagadas
históricos de chamadas
arquivos enviados por aplicativos
dados armazenados em plataformas de mensagens
registros de atividades no sistema do celular
Segundo a reportagem do Brasil 247, esse tipo de tecnologia permite reconstruir parte significativa das comunicações realizadas pelo usuário do aparelho.
Mensagens “secretas” também deixam rastros
Um dos pontos investigados envolve o uso de estratégias para dificultar o acesso às mensagens. De acordo com a apuração citada pelo portal, Vorcaro teria utilizado capturas de tela de textos escritos no bloco de notas do celular, enviando essas imagens por meio do recurso de visualização única do aplicativo WhatsApp.
Mesmo nesses casos, especialistas afirmam que o envio de arquivos deixa registros técnicos nos dispositivos.
O perito em crimes digitais Wanderson Castilho explicou que essas interações permanecem registradas no sistema.
“Quando você apaga ou manda uma informação em visualização única, os registros de que você mandou uma mensagem ficam armazenados.”
De acordo com ele, ainda que o conteúdo completo nem sempre seja recuperado, os dados digitais permitem identificar quando a mensagem foi enviada, para quem e em qual conversa ocorreu o envio.
Sistema da PF analisa grandes volumes de dados
Após a extração dos dados, a Polícia Federal utiliza ferramentas especializadas para organizar e examinar o material coletado. Entre elas está o IPED (Indexador e Processador de Evidências Digitais), sistema utilizado em diversas operações para analisar grandes volumes de informações.
O programa permite:
indexar milhares de arquivos simultaneamente
identificar palavras-chave em conversas e documentos
organizar mensagens e arquivos por data
reconstruir interações digitais
Para garantir a validade das provas, cada arquivo extraído recebe uma assinatura criptográfica chamada hash, que funciona como uma espécie de “impressão digital” do documento e assegura que ele não foi alterado durante a investigação.Celulares podem revelar novos desdobramentos do caso
A perícia nos celulares de Vorcaro é considerada uma etapa decisiva das investigações. Dispositivos móveis costumam armazenar grandes quantidades de informações pessoais, profissionais e financeiras, que podem ajudar investigadores a reconstruir redes de contatos e fluxos de comunicação.
Com a análise completa dos aparelhos, investigadores esperam identificar conversas, documentos e registros que possam esclarecer a dimensão das relações investigadas.
Especialistas afirmam que, em casos complexos, o conteúdo de celulares pode revelar elementos decisivos para o avanço das apurações, inclusive com a recuperação de mensagens que os usuários acreditavam ter sido apagadas definitivamente.