O Grupo Pão de Açúcar (GPA) protocolou um pedido de recuperação extrajudicial com o objetivo de renegociar cerca de R$ 4,5 bilhões em dívidas financeiras. A medida busca reorganizar o passivo da companhia enquanto mantém o funcionamento das operações, o pagamento de fornecedores e os salários dos funcionários. A informação foi divulgada inicialmente pelo NeoFeed
A decisão foi aprovada por unanimidade pelo conselho de administração da empresa e faz parte de um plano de reestruturação liderado pelo CEO Alexandre Santoro, que assumiu o comando do grupo recentemente. A estratégia pretende separar a renegociação financeira da rotina operacional da varejista.
Empresa tenta reorganizar dívida sem afetar operações
Segundo Santoro, a recuperação extrajudicial foi escolhida justamente para permitir uma reorganização financeira mais rápida, sem interromper as atividades da companhia.
“O pedido de recuperação extrajudicial não afetará os pagamentos aos fornecedores. Ele tampouco envolve o aluguel de loja, nem os salários dos colaboradores.”
Ele também afirmou que a modalidade permite lidar com o endividamento sem comprometer o funcionamento cotidiano da rede de supermercados.
“A extrajudicial é uma alternativa que consegue isolar com clareza o dia a dia, além de dar celeridade para resolver o problema.”
Credores já representam quase metade da dívida
O plano apresentado pelo GPA já conta com apoio inicial de credores que representam cerca de 46% do total da dívida não operacional, muitos deles instituições financeiras. Entre os bancos citados nas negociações estão Itaú, HSBC, Rabobank e BTG Pactual.
Durante o período inicial do processo, a empresa terá 90 dias de suspensão de execuções de dívidas e pagamento de juros relacionados ao passivo incluído no plano. Nesse intervalo, a companhia buscará ampliar a adesão de credores até atingir o mínimo de 50% necessário para validar o acordo de reestruturação.
Pressão financeira levou à reestruturação
A iniciativa ocorre em um momento de pressão sobre o caixa da companhia. Nos próximos 12 meses, o GPA possui cerca de R$ 1,7 bilhão em dívidas com vencimento, o que aumentou a urgência para renegociar o passivo financeiro.
Apesar de registrar geração de caixa operacional de R$ 1,3 bilhão em 2025, a empresa encerrou o ano com prejuízo anual de R$ 651 milhões e um déficit de capital circulante de cerca de R$ 1,22 bilhão, o que levou a companhia a alertar sobre incertezas relacionadas à continuidade de suas operações.
Além disso, o GPA também enfrenta cerca de R$ 17 bilhões em contingências fiscais e trabalhistas, o que aumenta a pressão sobre a estrutura financeira do grupo.
Reestruturação faz parte de plano estratégico
Segundo o CEO Alexandre Santoro, a reorganização da dívida é apenas uma parte de um plano mais amplo voltado a melhorar a eficiência da companhia e fortalecer a geração de caixa.
“Parte do meu mandato é aumentar a eficiência operacional da companhia, que gera caixa operacional e tem muita oportunidade.”
O GPA é um dos maiores grupos de varejo do país, responsável por redes de supermercados e marcas conhecidas do setor alimentar brasileiro.
A empresa agora tenta reorganizar sua estrutura financeira para recuperar capacidade de investimento e estabilizar a situação econômica da companhia sem recorrer a um processo de recuperação judicial mais amplo.


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