Com os preços do petróleo disparando de forma descontrolada por causa da guerra temerária e belicista deflagrada por Donald Trump no Oriente Médio, o presidente Lula anunciou hoje um pacote emergencial para proteger o povo brasileiro dos efeitos dessa crise internacional provocada pelos Estados Unidos.
Essa medida seria ainda mais fácil e eficaz se não fosse pela irresponsabilidade de Bolsonaro. A privatização da BR Distribuidora, a maior distribuidora do Brasil e braço estratégico da Petrobras que controlava cerca de 30% do mercado e ajudava a regular os preços finais do diesel e da gasolina em momentos de tensão geopolítica, agora faz o país pagar caro por essa decisão.
Vale ainda lembrar as consequências da Lava Jato. Os primeiros governos petistas estavam fazendo grandes investimentos em refinarias para o Brasil ficar independente na produção de diesel. No entanto, a Lava Jato veio para interromper esse processo: não apenas parou a construção de novas refinarias, como paralisou as obras que estavam em andamento, reduziu drasticamente o funcionamento das refinarias existentes e fez o Brasil passar a importar bilhões de dólares em diesel dos Estados Unidos nos primeiros anos seguintes.
Depois que os Estados Unidos fomentaram a guerra na Ucrânia via operações de inteligência, provocações à Rússia, golpes de Estado e tentativas de expandir a OTAN até as fronteiras russas, a Europa parou de comprar diesel russo e passou a importar diesel americano. Com isso, o Brasil ficou sem opções e foi obrigado a comprar diesel primeiro da Índia e depois da Rússia, que hoje é uma das principais fontes de suprimento.
Até isso os imperialistas querem cortar. E agora, ao criar esse novo caos no Oriente Médio, outra grande região produtora de diesel com refinarias modernas, o império agrava ainda mais a crise. O Brasil não produz todo o diesel que precisa porque a Lava Jato impediu a conclusão da Comperj, a expansão da Abreu e Lima e a construção das refinarias do Maranhão e do Sul do país.
Hoje o Brasil precisa tomar medidas urgentes que seriam bem mais fáceis se a BR ainda estivesse operando, e não só ela, mas toda a estrutura de distribuição de petróleo que antes ficava nas mãos da Petrobras.
Nesta quinta-feira, 12 de março de 2026, Lula assinou três decretos e uma Medida Provisória. O decreto principal zera integralmente as alíquotas de PIS e Cofins sobre o diesel, os únicos impostos federais que ainda recaíam sobre o combustível. Isso garante uma redução imediata de R$ 0,32 por litro.
A Medida Provisória cria uma subvenção econômica de mais R$ 0,32 por litro aos produtores e importadores, com repasse obrigatório ao consumidor final. Juntas, as medidas podem baixar o preço do diesel em até R$ 0,64 por litro nas bombas.
O pacote inclui ainda a criação de uma Sala de Monitoramento do mercado de combustíveis, novos instrumentos de fiscalização para a ANP contra especulação, aumentos abusivos e retenção de estoques, e a obrigatoriedade de os postos exibirem sinalização clara e visível sobre a queda dos tributos e da subvenção.
Lula foi direto: “São as camadas mais pobres da população no mundo inteiro que sofrem as maiores consequências dessas guerras.” E completou: “Nós vamos fazer tudo o que for possível para que essa guerra não chegue ao bolso do motorista, ao bolso do caminhoneiro. E sobretudo, não chegando ao bolso do caminhoneiro, não vai chegar ao prato de feijão, salada, alface, cebola e da comida que o povo mais come.”
Enquanto a direita brasileira continua apoiando Donald Trump, que desde que voltou ao poder só semeia caos e instabilidade pelo planeta, Lula age com responsabilidade para blindar o Brasil e, principalmente, as famílias mais pobres dos efeitos dessa aventura no Oriente Médio.