Uma pesquisa divulgada pelo instituto Genial/Quaest mostra que a confiança dos brasileiros no Supremo Tribunal Federal (STF) enfrenta um momento de forte desgaste. Segundo o levantamento, 49% da população afirma não confiar na Corte, enquanto 43% dizem confiar na instituição, revelando um cenário de divisão na percepção pública sobre o tribunal.
O estudo também aponta que o debate sobre o papel do STF tem ganhado peso no cenário político. De acordo com os dados, 66% dos entrevistados consideram importante votar em candidatos ao Senado que defendam a possibilidade de impeachment de ministros da Corte, tema que tem ganhado espaço nas discussões institucionais e eleitorais.
Percepção de poder excessivo no Supremo
Além da confiança na instituição, a pesquisa investigou como a população avalia a influência do STF no funcionamento do país.
Segundo o levantamento, 72% dos entrevistados acreditam que o tribunal exerce poder além do adequado no sistema político brasileiro. Esse número indica que uma parcela significativa da população considera que a atuação da Corte ultrapassa o papel esperado dentro do equilíbrio entre os Poderes.
O resultado reforça um debate que tem sido recorrente nos últimos anos sobre os limites de atuação do Judiciário e sua relação com o Legislativo e o Executivo.
Comparação com pesquisas anteriores
Os dados mais recentes também mostram uma mudança relevante em relação à percepção pública registrada em pesquisas anteriores.
Em novembro de 2022, por exemplo, 56% dos entrevistados afirmavam confiar no STF, enquanto 40% declaravam não confiar na instituição. O cenário atual indica uma inversão dessa tendência, com o grupo que declara desconfiança passando a representar a maior parcela.
Para analistas políticos, esse tipo de variação pode refletir a intensidade das disputas políticas e institucionais que marcaram o debate público nos últimos anos.
Relação com o governo também aparece na pesquisa
O levantamento também investigou como os brasileiros percebem a posição do STF no cenário político atual.
Segundo os dados, 59% dos entrevistados consideram que o tribunal atua como aliado do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Entre eleitores identificados com o bolsonarismo ou com a direita não alinhada diretamente ao ex-presidente Jair Bolsonaro, essa percepção chega a 84%.
Ao mesmo tempo, 51% dos entrevistados afirmaram que o STF teve papel importante na manutenção da democracia no Brasil, enquanto 38% discordam dessa avaliação.
Os números mostram que a avaliação da atuação da Corte varia de acordo com o posicionamento político e as percepções individuais sobre o papel das instituições.
Contexto político e impacto do caso Master
A pesquisa também foi realizada em meio à repercussão de investigações relacionadas ao chamado caso Banco Master, que envolve o empresário Daniel Vorcaro e possíveis conexões com autoridades e instituições.
Segundo o levantamento, cerca de dois terços dos entrevistados já tinham conhecimento da prisão do empresário antes da pesquisa, enquanto 33% disseram ter tomado conhecimento do episódio apenas durante o levantamento.
Quando questionados sobre quem teve a imagem mais afetada pelo escândalo, 40% responderam que todos os envolvidos foram prejudicados, enquanto o STF e o Judiciário apareceram como as instituições mais citadas individualmente, com 13% das respostas.
Metodologia do levantamento
A pesquisa Genial/Quaest foi realizada entre os dias 6 e 9 de março, com 2.004 entrevistas em todo o país.
O estudo possui margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e nível de confiança de 95%, além de ter sido registrado na Justiça Eleitoral sob o número BR-05809/2026.
Os resultados indicam que o debate sobre o papel do STF e a confiança nas instituições deve continuar no centro das discussões políticas e eleitorais ao longo do ano.