Cientistas descobrem estruturas do tamanho de continentes 100 vezes mais altos que o Everest

Rost9/Shutterstock

Uma descoberta impressionante nas profundezas do planeta continua intrigando cientistas. Pesquisadores identificaram duas gigantescas estruturas no interior da Terra, localizadas a cerca de 2.900 quilômetros de profundidade, cada uma com dimensões comparáveis às de um continente e altura estimada em até 100 vezes a do Monte Everest. Mesmo décadas após a identificação inicial, os especialistas ainda não sabem exatamente o que essas formações são ou como surgiram.

Essas estruturas estão posicionadas em lados opostos do planeta: uma sob o continente africano e outra sob o Oceano Pacífico. A descoberta reforça a ideia de que o interior da Terra é muito mais complexo do que se imaginava, abrindo novas questões sobre a formação do planeta e a dinâmica do seu interior.


Estruturas gigantes escondidas no manto da Terra

As duas formações ficam na base do manto terrestre, a camada que separa a crosta do núcleo do planeta. Elas são conhecidas pelos cientistas como Large Low-Shear-Velocity Provinces (LLSVPs) — regiões onde as ondas sísmicas se propagam mais lentamente do que no restante do manto.

A descoberta dessas estruturas foi possível graças a uma técnica chamada tomografia sísmica, que funciona de maneira semelhante a um raio-X da Terra. Sempre que ocorre um terremoto, as ondas sísmicas atravessam o interior do planeta e são registradas por sensores espalhados pelo mundo. A análise dessas ondas permite mapear regiões profundas inacessíveis por perfuração direta.

Foi justamente ao observar anomalias na velocidade dessas ondas que cientistas perceberam que algo gigantesco existia naquela região do planeta.


Estruturas podem ter origem em colisão planetária

Uma das hipóteses mais intrigantes sugere que essas estruturas podem ser fragmentos do planeta Theia, um corpo celeste que teria colidido com a Terra bilhões de anos atrás e originado a Lua.

Segundo modelos computacionais, partes desse material poderiam ter afundado através de um oceano global de magma formado após o impacto e se acumulado no fundo do manto terrestre.

Outra hipótese defendida por pesquisadores é que essas estruturas sejam restos do oceano de magma primitivo da Terra, que teria se formado quando o planeta ainda estava extremamente quente em seus primeiros milhões de anos.


“Continentes do submundo” influenciam a dinâmica do planeta

Apesar de ainda serem um mistério, os cientistas sabem que essas formações gigantes podem desempenhar papel importante na dinâmica interna da Terra.

Estudos indicam que essas regiões influenciam o movimento do manto, a formação de plumas de magma e até a atividade vulcânica na superfície.

Essas áreas profundas podem também afetar a circulação de calor entre o núcleo e o manto, um processo essencial para manter o funcionamento do chamado geodínamo, mecanismo responsável pela geração do campo magnético da Terra.


Mistério científico ainda está longe de ser resolvido

Mesmo com avanços tecnológicos e décadas de estudos, os pesquisadores ainda não chegaram a um consenso sobre a verdadeira natureza dessas gigantescas estruturas.

O que se sabe é que elas são extremamente antigas e podem ter permanecido praticamente intactas por centenas de milhões — ou até bilhões — de anos no interior do planeta.

Para os cientistas, compreender essas estruturas pode revelar pistas fundamentais sobre a formação da Terra e a evolução geológica do planeta. Enquanto novas pesquisas continuam sendo realizadas, esses enormes “continentes ocultos” permanecem como um dos maiores mistérios da geofísica moderna.

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.