O presidente da Argentina, Javier Milei, enfrenta a mais grave crise moral de seu mandato. O cenário se agrava pelo fato de Milei ter chegado à Casa Rosada já cercado por polêmicas e conflitos de interesse. Sua relação com operadores do mercado financeiro e de criptomoedas torna a situação ainda mais complexa.
O escândalo envolvendo a criptomoeda $LIBRA ganhou capítulos explosivos nos últimos dias. Reportagens da imprensa argentina revelaram que peritos da Justiça recuperaram, no celular do operador cripto Mauricio Novelli, documentos que apontam para um acordo confidencial entre o entorno do presidente e os criadores do projeto.
Segundo investigações do jornal Página 12, os peritos encontraram um rascunho de contrato que ligaria o presidente ao empresário norte-americano Hayden Davis, um dos responsáveis pelo lançamento da criptomoeda. O documento, elaborado semanas antes da criação do token, sugere uma negociação prévia e secreta.
O portal El Destape aprofundou a denúncia, afirmando que um arquivo detalha um pacto de US$ 5 milhões pelo apoio presidencial ao lançamento do ativo digital. O esquema descreveria pagamentos parcelados, vinculados à promoção pública do projeto e à sua formalização.
A figura central dessa rede é Mauricio Novelli, empresário que atuou como intermediário entre o círculo de Milei e investidores internacionais. A Justiça apreendeu seus dispositivos eletrônicos e, segundo a imprensa local, encontrou contratos e comunicações que o comprometem diretamente.
Novelli era conhecido por seu acesso privilegiado ao presidente e por sua atuação como ponte para investidores estrangeiros. Investigações jornalísticas indicam que foi ele quem aproximou Milei de Hayden Davis, promotor da criptomoeda $LIBRA.
O escândalo ganhou dimensão internacional após o lançamento do token, em fevereiro de 2025, quando Milei divulgou o projeto em suas redes sociais. O gesto provocou uma disparada imediata no preço do ativo, que logo em seguida sofreu um colapso abrupto quando grandes carteiras retiraram enormes volumes de liquidez.
Pesquisadores de blockchain, segundo a agência Reuters, identificaram cerca de US$ 99 milhões retirados do mercado por um pequeno grupo de carteiras associadas aos criadores do token. Esse tipo de operação é conhecido como “rug pull”, quando os desenvolvedores inflam um ativo e depois retiram os recursos, deixando o mercado quebrar.
Com a repercussão, a Justiça argentina abriu investigação sobre o papel do presidente no episódio, apurando inclusive operações financeiras de Milei e sua irmã, Karina Milei. Paralelamente, o Congresso argentino criou uma comissão investigadora, cujo relatório preliminar concluiu que a participação de Milei foi decisiva para dar visibilidade ao projeto.
Novas evidências complicaram ainda mais a situação do presidente. O Página 12 revelou que a perícia judicial encontrou uma série de ligações telefônicas entre Milei e Novelli durante o lançamento da criptomoeda, enfraquecendo a versão oficial de que o apoio foi apenas casual.
À medida que novos documentos aparecem, o escândalo se transforma em uma das crises políticas mais graves da história recente da Argentina. O presidente que prometeu acabar com a “casta” se vê acusado de ter colocado a autoridade do cargo a serviço de um esquema privado que gerou perdas massivas para investidores.
O caso $LIBRA deixou de ser apenas um escândalo financeiro e passou a representar uma crise de legitimidade para o governo libertário. Se as investigações confirmarem o que as perícias indicam, a pergunta na Argentina não será mais sobre desgaste político, mas sobre a responsabilidade direta do presidente no que já é chamado de o maior escândalo cripto da história do país.


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