Trump pede ajuda internacional para garantir navegação no estreito de Ormuz

Diante de uma resistência muito maior do que imaginava encontrar, Donald Trump começou a publicar mensagens em sua rede Truth Social pedindo que outros países enviem navios de guerra para ajudar os Estados Unidos a manter aberto o estreito de Ormuz. O apelo revela a crescente dificuldade de Washington em administrar os efeitos estratégicos da guerra contra o Irã.

O pedido também expõe uma contradição central da narrativa americana. O chanceler iraniano, Hossein Amir-Abdollahian, já afirmou que o estreito de Ormuz não está fechado para o comércio internacional.

Segundo Teerã, a passagem marítima continua aberta para navios de qualquer país. As restrições, segundo o governo iraniano, se aplicam apenas a embarcações americanas e israelenses envolvidas diretamente nos ataques militares contra o Irã.

Nesse contexto, a mobilização naval defendida por Trump parece menos uma operação de “proteção da navegação” e mais uma tentativa de internacionalizar o conflito. A estratégia busca envolver outras potências no confronto e reduzir o isolamento crescente de Washington na guerra.

Reportagem da Reuters publicada neste sábado relata que Trump pediu explicitamente que países como China, França, Japão, Coreia do Sul e Reino Unido enviem navios de guerra para a região.

O estreito de Ormuz é uma das rotas energéticas mais importantes do planeta. Cerca de um quinto de todo o petróleo e gás natural liquefeito transportado por navios no mundo passa pelo estreito, que conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico.

Em mensagens publicadas na Truth Social, Trump afirmou que os países que recebem petróleo transportado por essa rota deveriam “cuidar da passagem”. Ele acrescentou que os Estados Unidos ajudariam na coordenação militar dessas operações.

O presidente americano também declarou que espera que diversas nações enviem navios de guerra para patrulhar o estreito em conjunto com a marinha dos Estados Unidos.

Em outra postagem, Trump afirmou que as forças americanas continuarão bombardeando a costa iraniana e destruindo embarcações do país. A Casa Branca não confirmou se algum governo já concordou oficialmente em participar da operação naval proposta.

Enquanto isso, países ocidentais ampliaram sua presença militar na região. O reforço ocorre principalmente no Mediterrâneo oriental e em áreas próximas ao Golfo, onde cresce o temor de que o conflito afete o transporte internacional de energia.

A França, por exemplo, prepara o envio de cerca de uma dúzia de embarcações militares, incluindo um grupo de ataque com porta-aviões. Os navios poderão atuar no Mediterrâneo, no Mar Vermelho e eventualmente no estreito de Ormuz.

Autoridades francesas informaram que estão consultando países europeus, asiáticos e do Golfo para organizar um possível sistema de escolta a petroleiros que cruzem a região.

O Reino Unido também discute com aliados novas opções de envio de forças navais para o Golfo. Segundo o Ministério da Defesa britânico, as conversas buscam garantir a segurança do transporte marítimo diante do aumento das tensões militares.

O aumento da presença militar coincide com uma série de ataques a navios na região, em meio à escalada entre Estados Unidos, Israel e Irã.

A guerra também já produziu incidentes indiretos em outros países. Na sexta-feira, o Talibã afirmou que o Paquistão bombardeou um depósito de combustível próximo ao aeroporto de Kandahar, no Afeganistão.

Redação:
Related Post

Privacidade e cookies: Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você concorda com seu uso.