O Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica do Irã (IRGC) divulgou um alerta público pedindo a evacuação de instalações ligadas a empresas americanas na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos.
O comunicado afirma que essas estruturas podem ser consideradas alvos em caso de retaliação aos recentes ataques contra o território iraniano.
Segundo a declaração, moradores que vivem próximos a complexos industriais ou escritórios associados a companhias americanas deveriam deixar essas áreas para evitar riscos.
O aviso foi acompanhado por um gráfico divulgado pela agência de notícias Fars, próxima ao IRGC, com uma lista de empresas estrangeiras e os endereços de suas operações na região.
Entre as companhias citadas estão grandes nomes dos setores militar, tecnológico, financeiro e energético.
Na Jordânia, aparecem escritórios associados a Lockheed Martin, Boeing, Microsoft, Oracle, ExxonMobil, Citigroup e Amazon Web Services, muitos deles localizados em áreas empresariais de Amã, como o Abdali Financial District e o Amman Business Park.
Nos Emirados Árabes Unidos, o gráfico menciona operações em centros corporativos de Dubai e Abu Dhabi.
Entre as empresas listadas estão Lockheed Martin, Boeing, Microsoft, NSO Group, KKR, Boston Consulting Group, Bain & Company e Trafigura, com presença em polos como o Dubai International Financial Centre (DIFC), Dubai Internet City e Abu Dhabi Global Market.
O IRGC afirma que as instalações dessas empresas seriam parte da infraestrutura econômica e tecnológica que sustenta o poder estratégico dos Estados Unidos.
A advertência surge após o aumento das tensões militares envolvendo Washington, Tel Aviv e Teerã.
Nas últimas semanas, ataques atribuídos aos Estados Unidos e a Israel atingiram alvos no território iraniano, incluindo a ilha de Kharg.
Kharg abriga o principal terminal petrolífero do país e responde por grande parte das exportações de petróleo do Irã.
A ameaça de atingir interesses corporativos americanos fora do território dos Estados Unidos amplia o alcance potencial da crise regional.
Analistas apontam que, caso essa estratégia seja levada adiante, empresas multinacionais poderiam se tornar parte do tabuleiro geopolítico do conflito.
O episódio ocorre em meio ao retorno de Donald Trump à presidência americana e à adoção de uma linha mais agressiva em relação ao Irã.
O governo americano defende que as operações militares visam conter ameaças à navegação e à segurança energética no Golfo.
Teerã, por sua vez, afirma que responderá a qualquer ataque que atinja sua infraestrutura estratégica.
A divulgação pública de empresas e endereços associados a interesses americanos sinaliza que a disputa pode ultrapassar o campo militar e atingir também a esfera econômica e corporativa.


Nenhum comentário ainda, seja o primeiro!