Os Estados Unidos exportaram 290,3 bilhões de dólares em petróleo nos doze meses encerrados em janeiro de 2026, somando óleo bruto, derivados refinados e gases. No mesmo período, importaram 196,6 bilhões. O saldo ficou positivo em 93,8 bilhões de dólares. Os dados são do Census Bureau, o instituto de estatísticas do governo americano.
Para dimensionar o tamanho dessa operação: o Brasil, que virou potência petroleira nos últimos anos, exportou 55,6 bilhões de dólares em petróleo, derivados e gás nos doze meses até fevereiro de 2026. Os Estados Unidos movimentam em petróleo mais de cinco vezes o que o Brasil exporta. A Arábia Saudita, maior exportadora mundial de óleo bruto, fatura algo em torno de 200 bilhões de dólares por ano com suas vendas externas de petróleo.
Do lado americano, a composição das exportações é diversificada. Dos 290,3 bilhões, o óleo bruto respondeu por 98,6 bilhões de dólares, os derivados refinados por 109,3 bilhões e os gases de petróleo por 82,5 bilhões. Em relação ao ano anterior, o óleo bruto e os derivados caíram, mas os gases subiram quase 30 por cento e seguraram o total.
Esse superávit petroleiro de quase 94 bilhões de dólares ganha um significado novo agora que os Estados Unidos estão em guerra com o Irã e o Estreito de Ormuz está praticamente fechado. Por ali passam cerca de 20 por cento de todo o petróleo consumido no mundo. O barril de Brent, que rondava 60 dólares antes do conflito, chegou a quase 120 dólares e agora oscila acima de 100.
Mas o petróleo é só uma parte da história. Os dados do Census Bureau mostram que a pauta comercial americana está mudando rapidamente em outras frentes.
Nas importações, o grande salto foi dos computadores: de 145,5 bilhões para 264,7 bilhões de dólares em doze meses, alta de 82 por cento. E a origem dessas compras mudou. O México se consolidou como principal fornecedor dos Estados Unidos, com 535,7 bilhões de dólares em vendas totais. A China despencou de 444,6 bilhões para 287,8 bilhões, queda de 35 por cento. Taiwan quase dobrou, indo de 119,1 bilhões para 212 bilhões. O Vietnã subiu de 140 bilhões para 200,4 bilhões.
Nas exportações, fora o petróleo, três produtos chamam atenção. As aeronaves civis, motores e partes renderam 154,3 bilhões de dólares, alta de 22 por cento. Os computadores exportados foram de 41,4 bilhões para 66,2 bilhões, crescimento de 60 por cento. E o ouro disparou de 27,9 bilhões para 89,4 bilhões, mais do que triplicando. As exportações para a Suíça, centro global de negociação de ouro, subiram 214 por cento.
Na relação com o Brasil, os americanos ampliaram o superávit. As exportações para o mercado brasileiro subiram para 54,6 bilhões de dólares, enquanto as importações vindas do Brasil caíram para 39 bilhões. O café segue como importação relevante: os americanos compraram 12,75 bilhões de dólares em café e exportaram apenas 1,1 bilhão.
Fonte: Census Bureau. Valores em dólares correntes. Acumulados de doze meses encerrados em janeiro de 2026.