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Juros altos estrangulam empresas e famílias no Brasil

O sistema financeiro brasileiro continua drenando parte importante da vitalidade da economia nacional, resultado de um modelo econômico que impõe custos financeiros excessivos a empresas e cidadãos. Os juros reais no país permanecem entre os mais altos do mundo. Com a taxa básica em torno de 15% ao ano e inflação próxima de 4%, o […]

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O sistema financeiro brasileiro continua drenando parte importante da vitalidade da economia nacional, resultado de um modelo econômico que impõe custos financeiros excessivos a empresas e cidadãos.

Os juros reais no país permanecem entre os mais altos do mundo. Com a taxa básica em torno de 15% ao ano e inflação próxima de 4%, o juro real brasileiro se aproxima de 10% ao ano.

A distância em relação a outras economias é grande. Nos Estados Unidos, o juro real gira perto de 2% ao ano. Na Alemanha e em outras economias centrais da Europa, varia entre 1% e 2%.

Na China, fica próximo de 1%. No México, outro país emergente relevante, gira em torno de 5%.

Isso significa que o custo real do dinheiro no Brasil pode ser várias vezes superior ao observado nas principais economias do mundo.

Esse ambiente monetário começa a produzir efeitos visíveis na economia real. Um levantamento da consultoria RK Partners mostra que 24% das empresas brasileiras listadas em Bolsa já não conseguem gerar caixa suficiente para pagar os juros das próprias dívidas.

Em outras palavras, quase um quarto das companhias abertas do país já opera sob forte pressão financeira. Parte crescente do esforço produtivo está sendo absorvida pelo serviço da dívida.

Casos recentes ilustram esse cenário. O Grupo Pão de Açúcar e a Raízen anunciaram pedidos de recuperação extrajudicial praticamente ao mesmo tempo.

No caso da Raízen, a renegociação envolve mais de 65 bilhões de reais em dívidas, o maior valor já registrado em um processo desse tipo no Brasil.

O peso do crédito fica ainda mais evidente quando se observa o custo final pago por consumidores e empresas. No cartão de crédito rotativo, as taxas no Brasil superam 400% ao ano.

Nos Estados Unidos, a taxa média dos cartões gira em torno de 20% ao ano. Na Europa, normalmente fica entre 10% e 15%. Na China, costuma ficar abaixo de 20%.

Ou seja, o crédito rotativo brasileiro pode ser cerca de vinte vezes mais caro do que o praticado em economias desenvolvidas.

Mesmo fora do cartão, o crédito continua caro. A taxa média do crédito livre supera 60% ao ano para famílias e cerca de 25% para empresas.

Esse custo elevado resulta da combinação entre juros básicos altos e spreads bancários que figuram entre os maiores do mundo.

O impacto aparece no cotidiano econômico. Famílias comprometem parcela crescente da renda com dívidas, enquanto empresas reduzem investimento, comprimem capital de giro e passam a conviver com renegociações constantes.

Parte desse problema começou a se formar no período de juros muito baixos entre 2020 e 2021, quando muitas empresas se endividaram para expandir operações ou alongar passivos.

A mudança brusca da política monetária transformou esse endividamento em uma armadilha financeira.

Apesar disso, a economia brasileira ainda demonstra certa resiliência. O desemprego permanece relativamente baixo e a atividade econômica continua funcionando.

Mas a manutenção de juros elevados por longos períodos pode comprometer justamente essa resistência.

Se a taxa básica não iniciar uma redução mais consistente, empresas continuarão pressionadas, consumidores seguirão endividados e o investimento permanecerá limitado.

Quando esse tipo de sufocamento financeiro se prolonga por anos, o impacto deixa de ser apenas econômico. Crédito caro e endividamento persistente acabam alimentando frustração social e desgaste político.

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