O preço do petróleo superou US$ 100 por barril nesta segunda-feira pela segunda vez em menos de uma semana. A guerra envolvendo EUA, Israel e Irã entrou em sua terceira semana sem sinais de resolução diplomática.
Trump ameaçou novos ataques à Ilha de Kharg, principal hub de exportação de petróleo iraniano, após ter atingido alvos militares no fim de semana. Teerã respondeu com a promessa de novas retaliações.
O fechamento do Estreito de Hormuz pelo Irã, após os ataques americano-israelenses, configurou a maior disrupção no fornecimento global de petróleo já registrada. O corredor é responsável pela passagem de um quinto de toda a oferta mundial.
O Brent avançou 1,95%, chegando a US$ 105,15 o barril, enquanto o WTI americano subia 1,63%, a US$ 100,32. Ambos já haviam encerrado a sessão de sexta com ganhos de quase US$ 3. Os dois contratos acumulam alta superior a 40% no mês, atingindo os níveis mais elevados desde 2022.
A Agência Internacional de Energia (AIE) estima que o fornecimento global deve recuar 8 milhões de barris por dia em março devido às interrupções no transporte marítimo. Os produtores do Oriente Médio já reduziram a produção em pelo menos 10 milhões de barris por dia. A combinação de bloqueio logístico e corte de produção criou um choque de oferta sem precedentes na história moderna dos mercados de energia.
Em resposta, a AIE anunciou a liberação de mais de 400 milhões de barris das reservas estratégicas de seus países-membros. Esta é a maior mobilização de estoques já aprovada pela agência para conter os picos de preço. O Japão planeja iniciar a liberação nesta segunda-feira, sendo o primeiro país a confirmar prazo imediato. Os estoques da Europa e das Américas estarão disponíveis ao final de março.
O governo Trump recusou as tentativas de aliados do Oriente Médio de iniciar negociações diplomáticas, segundo três fontes familiarizadas com os esforços. O Irã rejeitou qualquer cessar-fogo enquanto os ataques americanos e israelenses continuarem. O impasse fecha o horizonte político em um momento em que o mercado precisaria de sinais de desescalada.
Ao entrar na terceira semana sem desfecho claro, o conflito deixou os mercados globais crescentemente preocupados com uma espiral escalatória incontrolável. Essa é a avaliação do estrategista Bjarne Schieldrop, do banco sueco SEB.
O secretário de Energia americano, Chris Wright, declarou no domingo que espera o fim da guerra nas próximas semanas, com a oferta de petróleo se recuperando e os custos de energia recuando em seguida. A previsão otimista contrasta com a recusa simultânea da Casa Branca em abrir canais diplomáticos. Essa contradição parece não ser ignorada pelos mercados.
Trump também convocou China, França, Japão, Coreia do Sul e Grã-Bretanha a enviarem navios de guerra para garantir a segurança do Estreito de Hormuz. O corredor de 54 quilômetros entre o Golfo Pérsico e o Mar da Arábia tornou-se o novo teatro central da política de potências do século XXI. A retomada das operações de carregamento no porto de Fujairah oferece alívio marginal, equivalente a cerca de 1% da demanda mundial. Por ora, é insuficiente para alterar o cenário.