Lula adia lançamento do Eca Digital para revisar decreto que regula big techs

Presidente pediu 24 horas para analisar detalhes da regulamentação que impõe limites às plataformas digitais no acesso de crianças e adolescentes.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou na última terça-feira uma cerimônia com cerca de 700 convidados para o lançamento do ECA Digital. O motivo foi a necessidade de analisar pessoalmente o decreto que seria assinado durante o evento.

Lula solicitou 24 horas adicionais para examinar o conteúdo técnico da norma antes de assiná-la. A informação foi confirmada pelo secretário de Políticas Digitais da Secom, João Brandt.

Segundo Brandt, o texto era consensual entre os ministérios, mas o presidente quis conhecer os detalhes das opções adotadas. A cerimônia foi remarcada para a tarde desta quarta-feira no Palácio do Planalto.

O episódio ocorre em um contexto de crescente pressão da sociedade e do Congresso por proteção digital de menores. O adiamento reflete cautela institucional e o desejo de não errar em uma pauta de alto apelo popular.

Na verdade, serão três atos normativos assinados em conjunto. O primeiro estabelece regras e responsabilidades das plataformas na proteção de menores.

O segundo cria um centro na Polícia Federal para receber denúncias de crimes contra crianças originadas nas redes. O terceiro reestrutura a Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) para fiscalização.

A regulamentação impacta diretamente gigantes como Meta, TikTok e Google. Elas terão que redesenhar plataformas para inibir o acesso de menores a conteúdos proibidos.

Práticas como rolagem infinita, reprodução automática de vídeos e sistemas de recompensa serão vedadas em contas de crianças e adolescentes. O objetivo é combater mecanismos que exploram vulnerabilidades psicológicas dos jovens.

A lei base foi sancionada por Lula em setembro de 2024. Ela obriga redes sociais a combaterem conteúdos de exploração sexual, violência, danos à saúde mental, pornografia e promoção de álcool, tabaco e apostas.

A fiscalização caberá à ANPD, que poderá aplicar advertências e sanções progressivas. Brandt afirmou, porém, que o governo vê disposição do setor privado em se adaptar.

O tom conciliatório com as empresas é estratégico. A implementação efetiva depende da cooperação das plataformas, cujas estruturas técnicas estão fora da jurisdição direta do Estado.

O debate sobre regulação digital ganhou força após casos de violência ligados ao uso de redes por adolescentes, incluindo ataques em escolas. O ECA Digital surgiu como resposta a essa pressão.

Ao pedir mais tempo para ler o decreto, Lula sinalizou que não quer lançar uma política de grande alcance de forma precipitada. A mensagem interna é clara: quando o assunto envolve crianças, até o detalhe técnico é crucial.

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