O dono do Banco Master negocia colaboração premiada e promete sacudir o cenário político às vésperas das eleições.
Daniel Vorcaro, preso e encurralado, escolheu o caminho da delação premiada.
O banqueiro, dono do Banco Master, já articula uma colaboração com a Justiça e, segundo apuração do Estadão, pretende envolver o PT e o governo Lula no escândalo, informação que já chegou ao Palácio do Planalto.
O caso Master já causou estragos consideráveis antes mesmo de qualquer delação formal.
Políticos do Centrão, presidentes de partidos e ministros do Supremo Tribunal Federal foram atingidos pelas investigações. O ministro da Casa Civil, Rui Costa, e o líder do governo no Senado, Jaques Wagner, ambos ex-governadores da Bahia, também aparecem no radar das apurações.
A conexão baiana é central nesse capítulo do escândalo. Negócios suspeitos envolvendo a venda da Empresa Baiana de Alimentos e um cartão de crédito consignado para servidores públicos são apenas a ponta visível do que investigadores descrevem como uma teia mais ampla de irregularidades.
Rui Costa, por sua vez, minimizou os riscos. "Minha preocupação com isso é zero", declarou o ministro, ciente de que a artilharia pode se voltar para as relações do PT da Bahia com Augusto Lima, ex-sócio do Master.
A escolha do advogado de Vorcaro também não passou despercebida nos bastidores. José Luís Oliveira Lima, o Juca, é nome de peso: defendeu o ex-ministro José Dirceu no mensalão, conduziu a delação de Leo Pinheiro, da OAS, na Lava Jato, e mais recentemente atuou na defesa do general Braga Netto no processo da trama golpista.
Juca é um advogado que conhece os dois lados do tabuleiro político brasileiro. Sua contratação, no lugar do criminalista Pierpaolo Bottini, sinaliza que Vorcaro não quer apenas se defender, mas negociar ativamente sua saída da prisão em troca de informações.
Há, porém, um limite claro para o que a Justiça aceita. Advogados próximos ao ministro André Mendonça, relator do caso no STF, afirmam que uma delação seletiva, construída para proteger aliados e atacar adversários, será rejeitada, e que todos os dados fornecidos por Vorcaro serão cruzados com o material já levantado pela Polícia Federal.
O alerta é direto: não adianta entregar uma versão recortada dos fatos. Se personagens relevantes forem retirados da narrativa de forma artificial, a colaboração perde validade e Vorcaro permanece preso.
O cenário em Minas Gerais adiciona outro componente de pressão sobre o governo federal. Segundo o Estadão, Vorcaro teria informações sobre negócios envolvendo políticos e empresários mineiros que podem prejudicar Lula justamente no segundo maior colégio eleitoral do país.
Minas é um Estado estratégico e historicamente decisivo nas eleições presidenciais brasileiras. Desde a redemocratização, quem vence em Minas costuma vencer a presidência, e Lula ainda não consolidou seu palanque local para 2026.
O paralelo histórico não favorece o PT. No primeiro mandato de Lula, o escândalo do mensalão teve um capítulo relevante no Estado, com investigações sobre empréstimos fraudulentos do Banco BMG ao partido e a empresas ligadas a Marcos Valério, apontado como operador do esquema.
A oposição bolsonarista já percebeu o potencial explosivo da situação e trabalha para explorar ao máximo qualquer desgaste do governo em Minas. O enfraquecimento das alianças regionais de Lula faz parte de uma estratégia deliberada para inviabilizar sua reeleição.
O ambiente político em Brasília está marcado por tensão crescente. Ministros do STF avaliam que tanto o governo Lula quanto os bolsonaristas descobriram que atacar o tribunal rende dividendos eleitorais, alimentando uma disputa que fragiliza as instituições.
A perspectiva de novas delações, atingindo personagens dos mais variados espectros políticos, amplia a instabilidade. O caso Master ainda está longe do seu capítulo final, e os próximos meses prometem revelar conexões capazes de redesenhar o mapa político do país antes das eleições de 2026.