As investigações envolvendo o escândalo do Banco Master ganharam novos desdobramentos após a revelação de que uma empresa da nora do senador Jaques Wagner (PT-BA) recebeu cerca de R$ 11 milhões da instituição financeira.
O caso amplia a repercussão política das apurações, que já envolvem suspeitas de fraudes, lavagem de dinheiro e conexões com agentes públicos.
A informação divulgada pelo Metrópoles surgiu a partir de análises de contratos e pagamentos realizados pelo banco controlado pelo empresário Daniel Vorcaro, atualmente investigado em diferentes frentes pela Polícia Federal e por órgãos de controle.
Empresa atuava na prospecção de crédito consignado
De acordo com os dados apurados, os pagamentos foram feitos à empresa BK Financeira, ligada a Bonnie de Bonilha, nora do senador. O contrato previa a atuação na prospecção de operações de crédito consignado para o Banco Master.
A empresa foi fundada em 2021 e tem como sócio o advogado Moisés Dantas. Segundo ele, o serviço prestado não envolvia consultoria, mas sim a intermediação comercial de oportunidades no mercado financeiro.
Em declaração, o sócio afirmou: “Somos sócios desde 2022, e o serviço prestado não foi de consultoria, mas de prospecção e indicação, em caráter de exclusividade, de operações e convênios de crédito consignado, modalidade existente em todo o Brasil”.
Ele também destacou que “todos os valores recebidos foram formalizados por meio de nota fiscal, e balanços e extratos estão à disposição das autoridades”.
Relação familiar amplia repercussão política
Bonnie de Bonilha é casada com Eduardo Sodré, secretário de Meio Ambiente da Bahia e enteado de Jaques Wagner. A ligação familiar elevou a repercussão do caso no cenário político nacional, especialmente por Wagner ocupar a função de líder do governo no Senado.
Diante da divulgação das informações, o senador se manifestou e afirmou que não teve participação no contrato firmado entre a empresa e o banco.
Em nota, Wagner declarou: “jamais participou de qualquer intermediação ou negociação em favor da empresa citada”, acrescentando que cabe exclusivamente à empresa prestar esclarecimentos sobre suas atividades.
Caso Master envolve rede complexa de operações
O episódio se insere no contexto mais amplo do escândalo do Banco Master, considerado um dos maiores casos recentes envolvendo o sistema financeiro brasileiro. As investigações apontam a existência de uma estrutura com múltiplos núcleos, incluindo operações financeiras, ocultação patrimonial e possíveis conexões políticas.
Segundo autoridades, o banco teria operado com estratégias complexas para movimentação de recursos, incluindo contratos com empresas e intermediários em diferentes áreas, como o crédito consignado.
A análise desses contratos tem sido um dos focos centrais das investigações, com o objetivo de identificar a origem dos recursos e os beneficiários finais das operações.
Mudanças empresariais e novas análises
Além da BK Financeira, registros indicam que Bonnie também está ligada a outra empresa, a BN Representações, que passou por mudanças recentes de atividade e estrutura societária.
Documentos apontam que a empresa teve alterações em sua área de atuação, o que também está sendo analisado pelas autoridades como parte do rastreamento de movimentações financeiras.
Investigações continuam e podem avançar
O caso segue sob investigação e pode ter novos desdobramentos nos próximos meses. Autoridades continuam analisando contratos, fluxos financeiros e conexões entre empresas e pessoas físicas ligadas ao banco.
A revelação dos pagamentos de R$ 11 milhões amplia o alcance político do escândalo e reforça a complexidade das apurações, que já mobilizam diferentes órgãos do sistema de Justiça.
Com o avanço das investigações, o caso Master permanece no centro do debate público, envolvendo não apenas o sistema financeiro, mas também possíveis conexões com figuras do cenário político nacional.